Uma nova pesquisa da Universidade de Newcastle, divulgada em 8 de janeiro de 2026, aponta que apenas 10 minutos de exercício intenso podem ativar uma poderosa resposta anticâncer. Este achado sugere que a atividade física breve é capaz de alterar a genética de células tumorais, suprimindo o crescimento do câncer de intestino e acelerando o reparo do DNA.

A descoberta, publicada no International Journal of Cancer, oferece uma nova perspectiva sobre como o movimento impacta a saúde celular. Os cientistas observaram que um curto período de atividade física vigorosa modifica rapidamente a composição molecular da corrente sanguínea.

Essas alterações moleculares parecem ser cruciais para inibir a proliferação de células cancerígenas e para otimizar os processos de reparo do DNA danificado, fornecendo uma base científica sólida para a recomendação do exercício como ferramenta de prevenção e até mesmo tratamento de câncer.

Como o exercício remodela o ambiente celular

A equipe da Universidade de Newcastle identificou que o exercício eleva os níveis de diversas moléculas pequenas no sangue. Muitas dessas substâncias são reconhecidas por suas propriedades anti-inflamatórias, de suporte à saúde vascular e de melhoria do metabolismo.

Ao expor células de câncer de intestino em laboratório a amostras de sangue enriquecidas com essas moléculas pós-exercício, os pesquisadores registraram mudanças genéticas extensas. Mais de 1.300 genes tiveram sua atividade alterada, incluindo aqueles envolvidos no reparo do DNA, na produção de energia e no crescimento de células cancerígenas.

Dr. Sam Orange, professor sênior de Fisiologia Clínica do Exercício na Universidade de Newcastle e principal autor do estudo, destacou a relevância desses achados. “É notável que o exercício não apenas beneficia tecidos saudáveis, mas envia sinais potentes através da corrente sanguínea que podem influenciar diretamente milhares de genes em células cancerígenas”, afirmou.

Ele acrescenta que essa percepção abre caminho para encontrar formas de mimetizar ou ampliar os efeitos biológicos do exercício, o que poderia aprimorar os tratamentos e, crucialmente, os resultados para os pacientes com câncer.

Implicações para prevenção e novas terapias

O estudo revelou que o exercício intensificou a atividade de genes que sustentam o metabolismo energético mitocondrial, permitindo que as células utilizem oxigênio de maneira mais eficiente. Simultaneamente, genes ligados à rápida divisão celular foram suprimidos, o que pode tornar as células cancerígenas menos agressivas.

A pesquisa, que incluiu 30 voluntários com idades entre 50 e 78 anos, todos com sobrepeso ou obesidade, demonstrou que mesmo um único treino de cerca de 10 minutos pode fazer a diferença. Amostras de sangue coletadas após o exercício mostraram um aumento na atividade de 13 proteínas, incluindo a interleucina-6 (IL-6), essencial para o reparo do DNA.

Dr. Orange enfatiza que “esses resultados sugerem que o exercício não apenas beneficia tecidos saudáveis, mas também pode criar um ambiente mais hostil para o crescimento das células cancerígenas”. A atividade física regular já é estimada em reduzir o risco de câncer de intestino em cerca de 20%.

Ainda que o foco tenha sido o câncer de intestino, a quarta causa mais comum de câncer no Reino Unido, com quase 44.000 novos casos anualmente, os princípios moleculares descobertos podem ter implicações mais amplas. Atividades simples como caminhar ou pedalar para o trabalho, jardinagem e outras tarefas diárias também contribuem para esses efeitos protetores. Para mais informações sobre a prevenção do câncer de intestino, consulte o Bowel Cancer UK.

No futuro, esses insights podem inspirar novas terapias que imitem os benefícios do exercício na reparação celular e no uso de energia, especialmente para pacientes com mobilidade reduzida. É um lembrete poderoso de que cada passo e cada sessão de exercício contam na proteção da saúde.