A Autoridade Garante da Concorrência e do Mercado (AGCM), órgão regulador italiano, iniciou uma investigação contra a Activision Blizzard. O inquérito foca nas práticas de monetização dos jogos mobile Diablo Immortal e Call of Duty Mobile, alegando táticas enganosas e agressivas relacionadas às compras dentro dos aplicativos. A ação, divulgada nesta semana, levanta preocupações sobre a proteção do consumidor e a diligência profissional da empresa no setor de games. site oficial da AGCM.
Segundo a AGCM, a Activision Blizzard estaria empregando designs de interface (UI) potencialmente enganosos para atrair os jogadores de volta aos títulos e incentivá-los a permanecerem mais tempo ativos. Essa abordagem pode levar a gastos significativos, muitas vezes sem a plena consciência do valor real envolvido nas transações virtuais.
A investigação da Autoridade Italiana da Concorrência e do Mercado, conforme detalhado por veículos como o GamesIndustry.biz, abrange ainda a forma como a empresa obtém o consentimento para dados pessoais e a adequação das informações sobre os direitos dos consumidores.
A preocupação central reside na vulnerabilidade dos jogadores, incluindo menores, diante de sistemas que podem explorar impulsos e dificultar o controle de gastos.
Práticas de monetização sob o microscópio
A AGCM aponta que as estratégias da Activision Blizzard incluem avisos sobre recompensas potenciais dentro e fora do jogo, além de notificações e chamadas para adquirir itens de tempo limitado.
Tais elementos, combinados com a complexidade em entender o valor da moeda virtual e a venda de pacotes, podem influenciar os consumidores a gastarem mais do que o necessário para progredir nos jogos. Este cenário levanta questões cruciais sobre a ética no design de jogos e a responsabilidade das empresas.
Ainda no cerne da investigação está a configuração padrão dos controles parentais. Segundo a AGCM, eles tendem a um ‘nível mais baixo de proteção’. Isso permite compras in-game, não limita o tempo de jogo e nem as interações com outros jogadores.
Essa configuração expõe crianças e adolescentes a riscos maiores. A falta de transparência e de salvaguardas adequadas para os mais jovens é um ponto de atenção para reguladores em todo o mundo. Eles buscam equilibrar a inovação dos jogos com a segurança dos usuários.
O impacto regulatório no mercado de games mobile
A ação da autoridade italiana contra a Activision Blizzard não é um caso isolado. Reguladores em diversas jurisdições têm intensificado o escrutínio sobre as práticas de monetização em jogos eletrônicos. Isso ocorre especialmente naqueles que utilizam modelos ‘free-to-play’ com compras internas.
A pressão regulatória reflete uma crescente preocupação com a ludopatia e o consumo excessivo, fatores que podem ter impactos sociais e financeiros significativos.
Este tipo de investigação pode resultar em multas substanciais e na exigência de mudanças nas práticas comerciais da Activision Blizzard. Isso estabelece um precedente para a indústria.
Empresas do setor são cada vez mais desafiadas a demonstrar conformidade com as leis de proteção ao consumidor e a adotar maior transparência. Para mais informações sobre direitos do consumidor, consulte as diretrizes da Comissão Europeia sobre direitos do consumidor.
A Europa, em particular, tem sido proativa na defesa dos direitos dos consumidores digitais. Isso impulsiona um debate global sobre a responsabilidade das plataformas de jogos. Organizações como o Bureau Européen des Unions de Consommateurs (BEUC) também atuam nesse cenário.
O desfecho da investigação da AGCM será um marco importante para o futuro da monetização em jogos mobile. Ele poderá redefinir os limites aceitáveis para as estratégias de lucro das desenvolvedoras.
Isso priorizará a proteção dos jogadores contra práticas potencialmente abusivas. A indústria de games, avaliada em bilhões, precisa se adaptar a um ambiente regulatório mais rigoroso.
Nesse cenário, a inovação é bem-vinda, mas a integridade e a transparência são inegociáveis. O caso da Activision Blizzard na Itália serve como um alerta para todo o mercado.









