Uma pesquisa recente da Universidade de Nagoya, Japão, revela que uma pomada ocular comum à base de petrolato pode comprometer a integridade de implantes de glaucoma, como o PRESERFLO MicroShunt, levantando novas preocupações sobre o tratamento glaucoma pomada no pós-operatório. A descoberta sugere que o uso inadvertido desses produtos pode levar ao inchaço e até à ruptura dos dispositivos.

O glaucoma é uma doença ocular progressiva que atinge milhões globalmente, muitas vezes devido à pressão intraocular elevada que danifica o nervo óptico. Para muitos pacientes, implantes como o MicroShunt oferecem uma solução eficaz para drenar o excesso de fluido e preservar a visão.

Este dispositivo, feito de um elastômero termoplástico de estireno (SIBS), é valorizado por sua biocompatibilidade e flexibilidade, minimizando complicações pós-cirúrgicas. O estudo da Universidade de Nagoya, publicado em Graefe’s Archive, destaca uma vulnerabilidade crítica do material.

Isso significa que pomadas oculares contendo petrolato, amplamente utilizadas, podem ser absorvidas pelo implante, alterando sua forma e resistência mecânica.

O risco oculto das pomadas à base de petrolato

Apesar de o fabricante do PRESERFLO MicroShunt alertar especificamente contra o contato direto do dispositivo com materiais à base de petrolato, essa orientação nem sempre é reconhecida ou seguida na prática clínica.

O oftalmologista e professor assistente Ryo Tomita, da Escola de Pós-Graduação em Medicina da Universidade de Nagoya, e primeiro autor do estudo, enfatiza que implantes inchados tornam-se estruturalmente frágeis.

Ele observou rupturas durante cirurgias em dispositivos afetados. Se mais clínicos tivessem consciência desse risco, problemas semelhantes poderiam ser prevenidos, como destacado na pesquisa.

A equipe de pesquisa, que incluiu especialistas em medicina e engenharia, analisou casos de sete pacientes com glaucoma cujos implantes MicroShunt foram removidos.

Em três casos onde o implante esteve exposto e houve uso de pomada à base de petrolato, todos os dispositivos apresentaram inchaço notável, e dois deles romperam.

Em contraste, três outros implantes não expostos à pomada mantiveram sua estrutura original.

Implicações para o cuidado pós-operatório do glaucoma

Esta pesquisa, detalhada em ScienceDaily em 16 de janeiro de 2026, sublinha a necessidade urgente de revisão dos protocolos de tratamento pós-cirúrgico para pacientes com implantes de glaucoma.

A conscientização sobre os riscos específicos de certas pomadas oculares é crucial para evitar danos aos dispositivos e complicações na saúde ocular. O estudo serve como um lembrete vital de que o que parece ser um tratamento rotineiro pode ter consequências imprevistas.

Especialistas agora consideram a importância de educar médicos e pacientes sobre alternativas seguras para a lubrificação ocular pós-cirúrgica.

A colaboração entre a medicina e a engenharia, como demonstrado pela pesquisa de Nagoya, é fundamental para identificar e mitigar riscos em tecnologias médicas. A integridade do implante é essencial para o sucesso a longo prazo do tratamento do glaucoma e para a manutenção da visão do paciente.

A descoberta sobre os danos causados por pomadas de petrolato em implantes de glaucoma exige atenção imediata da comunidade oftalmológica global.

A partir de agora, a seleção cuidadosa de produtos para o cuidado ocular pós-operatório deve ser uma prioridade, garantindo a longevidade e eficácia dos dispositivos.

Isso não apenas protegerá os pacientes de complicações desnecessárias, mas também reforçará a confiança nas inovações médicas para o tratamento do glaucoma.