A Valve, gigante do PC gaming, ajustou suas diretrizes de divulgação de uso de inteligência artificial (IA) na plataforma Steam, exigindo agora que desenvolvedores informem sobre a tecnologia apenas em casos de geração de conteúdo para jogos ou marketing. Esta mudança, identificada por Simon Carless da GameDiscoverCo, suaviza as regras anteriores e reflete o crescente debate da indústria sobre a IA no desenvolvimento de jogos.
Desde janeiro de 2024, a Valve já permitia a vasta maioria dos jogos com IA em sua plataforma, mas com a condição de que os desenvolvedores detalhassem o uso da tecnologia. A alteração mais recente alivia a carga sobre a divulgação de IA utilizada para ganhos de eficiência no processo de desenvolvimento, focando apenas na IA que cria conteúdo que é consumido pelos jogadores, como arte, som, narrativa e localização.
Essa postura da Valve marca uma evolução nas políticas da empresa, que anteriormente era menos tolerante com a tecnologia, buscando um equilíbrio entre inovação e transparência no mercado de games.
A discussão sobre a IA em jogos é intensa, com grandes empresas como Nexon e Krafton abraçando plenamente a IA generativa na criação de seus títulos. No final de 2025, o CEO da Epic Games, Tim Sweeney, argumentou que plataformas como Steam não deveriam rotular projetos criados com IA, prevendo que a IA estará envolvida em quase toda a produção futura de games.
Dados de julho de 2025, da Totally Human Media, indicaram que 7% dos jogos na Steam já divulgavam o uso de IA generativa, um salto significativo de 1,1% em relação aos anos anteriores, evidenciando a rápida adoção da tecnologia.
A nova política da Valve esclarece que a preocupação principal reside na IA que gera ativos diretamente consumidos pelos jogadores, sejam eles dentro do jogo ou em materiais de marketing. Desenvolvedores devem descrever o que foi criado por IA e se o próprio jogo gera conteúdo de IA.
Contudo, a gigante do PC não exige mais a divulgação do uso da tecnologia para “ganhos de eficiência” no processo de desenvolvimento, reconhecendo que muitas ferramentas modernas já incorporam IA para otimização, como detalhado por especialistas em desenvolvimento de jogos.
A empresa explicou em sua página de divulgação atualizada de IA que “ganhos de eficiência através do uso dessas ferramentas não é o foco desta seção. Em vez disso, ela se preocupa com o uso de IA na criação de conteúdo que é distribuído com seu jogo e é consumido pelos jogadores. Isso inclui conteúdo como arte, som, narrativa, localização, etc.”.
Essa distinção é crucial, pois separa o uso de IA como ferramenta de suporte ao desenvolvimento da sua aplicação direta na criação de elementos visíveis e jogáveis, um conceito fundamental para entender o impacto da IA nos jogos.
O cenário da IA no desenvolvimento de jogos
A indústria de games está em plena transformação com a ascensão da inteligência artificial. Empresas como Nexon e Krafton já integram a IA generativa em suas estratégias de produção, sinalizando uma tendência que deve se intensificar.
Essa adoção levanta questões sobre direitos autorais, originalidade e a percepção dos jogadores, elementos que as plataformas digitais, como a Steam, precisam navegar com cautela, especialmente com o avanço de regulamentações como a Lei de IA da União Europeia.
A flexibilização das diretrizes da Valve pode ser vista como um reconhecimento da inevitabilidade da IA no processo criativo dos jogos, ao mesmo tempo em que busca manter a transparência para os consumidores.
Desenvolvedores expressam um misto de otimismo e preocupação com o futuro da IA, apontando para a aceleração de testes e localização. Contudo, há alertas sobre a potencial queda na percepção de qualidade se o conteúdo gerado por IA for excessivo. No Brasil, a interação com agentes de IA já virou critério para a Classificação Indicativa de jogos e aplicativos.
A decisão da Valve de refinar suas políticas de divulgação de IA na Steam reflete um esforço para se adaptar a um cenário de desenvolvimento de jogos em constante mudança, onde a inteligência artificial se consolida como ferramenta essencial.
Ao focar na transparência do conteúdo gerado por IA para o jogador, a plataforma busca um equilíbrio entre fomentar a inovação e garantir a clareza para sua vasta comunidade. Os próximos passos da indústria e das plataformas digitais nesse campo serão cruciais para moldar o futuro da criação e do consumo de jogos. Isso exigirá um olhar atento de desenvolvedores, reguladores e, principalmente, dos próprios jogadores.







