Em meio ao iminente desligamento dos servidores de Anthem, agendado para 12 de janeiro de 2026, Mark Darrah, um veterano que dedicou 24 anos à BioWare, veio a público defender a ousada incursão do estúdio em jogos multiplayer. A decisão, que gerou críticas desde o lançamento do título em 2019, é vista por Darrah como parte de um processo natural de evolução da desenvolvedora, conforme noticiado pelo GamesIndustry.biz.

A discussão sobre o desenvolvimento de Anthem reacendeu o debate sobre a identidade da BioWare, conhecida por seus aclamados RPGs single-player. Críticos argumentam que o estúdio deveria ter mantido sua fórmula de sucesso, mas Darrah contesta essa visão simplista. Para ele, a história da BioWare é marcada por inovações e mudanças de gênero, uma trajetória de experimentação que desafia a ideia de um estúdio estático.

Este posicionamento oferece uma lente valiosa para entender as pressões e ambições que moldam a indústria de jogos, especialmente quando estúdios renomados buscam expandir seus horizontes criativos e de mercado. A defesa de Darrah não apenas contextualiza o projeto, mas também joga luz sobre os riscos inerentes à inovação em um setor tão dinâmico.

A evolução constante da BioWare

A tese central de Darrah reside na adaptabilidade da BioWare. Ele questiona a lógica de que o estúdio deveria ter permanecido fiel a um único tipo de jogo. “Por esse argumento, nunca deveríamos ter feito Neverwinter Nights, pois éramos criadores de RPGs 2D”, argumentou Darrah. “Nunca deveríamos ter feito Mass Effect, porque éramos criadores de RPGs táticos, não de ação”.

Essa perspectiva é corroborada pela própria história da empresa, que desde sua fundação em 1995, tem um portfólio diversificado que inclui títulos como Baldur’s Gate, Jade Empire e Star Wars: Knights of the Old Republic, disponíveis na página oficial da BioWare. O diretor de Anthem, John Warner, já havia expressado um sentimento similar em 2018, descrevendo o jogo como uma “evolução contínua de nosso ofício e técnica”, e não uma ruptura, segundo o GamesIndustry.biz.

Desafios e responsabilidades no desenvolvimento de Anthem

Apesar de sua defesa, Darrah não ignora os problemas. Ele admite que Anthem foi, de fato, “um passo grande demais”, uma aposta ambiciosa que se revelou excessiva. Contudo, ele pondera que prever o resultado no momento do desenvolvimento era uma tarefa complexa. O jogo, lançado em fevereiro de 2019, enfrentou críticas mistas e não atingiu as metas de vendas esperadas, como detalhado por diversas fontes.

Sobre a responsabilidade pelo fracasso, Darrah aponta para a editora Electronic Arts (EA), afirmando que ela “certamente merece uma boa parte da culpa por Anthem, mas não é toda culpa deles”. Essa nuance é importante, pois reflete a complexa teia de decisões e influências que permeiam o desenvolvimento de grandes títulos, onde a visão criativa do estúdio se entrelaça com as expectativas e estratégias da publicadora. O título, que teve seu suporte encerrado em 2021, será completamente desativado em breve.

A reflexão de Mark Darrah sobre o desenvolvimento de Anthem serve como um lembrete de que a inovação na indústria de jogos é um caminho árduo, repleto de riscos e aprendizados. A BioWare, embora tenha enfrentado um revés significativo com Anthem, continua a buscar sua identidade em um mercado em constante transformação, atualmente focada em projetos como o próximo Mass Effect. O legado de Anthem, com suas cicatrizes permanentes no estúdio, conforme Darrah também indicou em outras entrevistas, certamente moldará os futuros empreendimentos da BioWare.