Adrian Chmielarz, diretor criativo de Witchfire, da The Astronauts, revela como equipes enxutas impulsionaram o desenvolvimento de seu RPG de tiro e a importância da paixão e do talento para o sucesso de jogos como o misterioso Clair Obscur. O veterano da indústria, com passagens pela People Can Fly, compartilha insights valiosos sobre a dinâmica de times menores e a filosofia por trás de projetos ambiciosos, em entrevista recente ao GamesIndustry.biz.

A discussão sobre o tamanho ideal de uma equipe de desenvolvimento de jogos tem ganhado destaque na indústria, com muitos questionando a eficácia de estúdios gigantescos. Chmielarz, um defensor convicto das equipes pequenas no desenvolvimento de jogos, oferece uma perspectiva única, baseada em sua vasta experiência, corroborada por recentes estudos sobre eficiência de equipes. Essa abordagem é crucial na criação de títulos inovadores, mantendo a coesão e a visão artística.

O desenvolvimento de Witchfire, que está em acesso antecipado desde 2023 e se aproxima de sua versão 1.0, começou em 2017. O projeto, que inicialmente era um simulador de sobrevivência de ficção científica, evoluiu para um RPG de tiro de fantasia sombria, um gênero que Chmielarz descreve como estando no “DNA” da equipe. Com mais de 500 mil cópias vendidas em Acesso Antecipado e 1,6 milhão de wishlists, o jogo demonstra a atração de sua premissa “Dark Souls com armas” e o impacto de visuais impressionantes.

A alquimia de equipes enxutas e o sucesso de Witchfire

Chmielarz atribui grande parte do sucesso de Witchfire à composição de sua equipe, que ele descreve como “puro talento, paixão e experiência”. Para ele, paixão e talento superam a experiência, criando um ambiente onde o “ego morre”. Essa cultura permite uma crítica honesta e construtiva, essencial para aprimorar o jogo sem que as observações sejam vistas como ataques pessoais, uma filosofia que ecoa princípios de cultura organizacional em estúdios de jogos.

A The Astronauts manteve uma equipe de apenas 12 pessoas durante a maior parte do desenvolvimento de Witchfire, crescendo para 26 ou 27 funcionários apenas nos últimos dois anos, impulsionada pelas vendas do Acesso Antecipado. Essa estrutura enxuta, segundo Chmielarz, é um diferencial. A agilidade na tomada de decisões e a comunicação direta são facilitadas, permitindo que o estúdio adapte o projeto à equipe, em vez de expandir a equipe para o projeto.

O mistério de Clair Obscur e a busca pelo “número mágico”

A questão do tamanho ideal de uma equipe ressoa em toda a indústria. Chmielarz, ao ser questionado sobre o “número mágico” de desenvolvedores, revela que as respostas variam amplamente, de 25 a 100, dependendo do estúdio. Para ele, o ponto crítico não é um número específico, mas sim “quando você para de reconhecer as pessoas”. Essa perda de conexão pessoal indica que a equipe se tornou grande demais, impactando a coesão e a eficiência, um fenômeno em relatórios da indústria de jogos.

O diretor de Assassin’s Creed Unity já afirmou que “o futuro reside em equipes menores”, uma visão que se alinha com a filosofia da The Astronauts. Casos como o de Clair Obscur: Expedition 33 e No Law, da Neon Giant, ambos desenvolvidos por equipes de cerca de 30 pessoas, reforçam a ideia de que a excelência não está necessariamente ligada ao gigantismo. O “mistério” do brilhantismo de Clair Obscur, portanto, pode estar justamente na capacidade de uma equipe coesa e apaixonada em executar uma visão clara, sem as complexidades e burocracias que frequentemente acompanham grandes estúdios.

A abordagem de Adrian Chmielarz e da The Astronauts serve como um lembrete poderoso de que, no desenvolvimento de jogos, a qualidade e a inovação muitas vezes brotam de ambientes onde a paixão e o talento são priorizados sobre o tamanho da equipe. A capacidade de manter uma conexão pessoal e uma cultura de “morte do ego” pode ser o verdadeiro diferencial para criar experiências memoráveis, provando que menos, de fato, pode ser mais. O futuro da indústria pode ver mais estúdios abraçando essa filosofia, buscando a excelência através da eficiência e da paixão em vez da escala.