Um jato de buraco negro oscilante está remodelando drasticamente a galáxia VV 340a, expelindo gás essencial para a formação estelar. Astrônomos observaram este fenômeno, onde um jato, embora fraco, se move em precessão, impactando o futuro da galáxia. Esta descoberta, detalhada em pesquisa recente, revela como buracos negros supermassivos influenciam suas galáxias hospedeiras de forma inesperada.
Galáxias ativas, com núcleos intensamente brilhantes, frequentemente abrigam buracos negros supermassivos que se alimentam de matéria circundante. Esse processo libera energia colossal, por vezes gerando jatos estreitos que se projetam para fora do centro galáctico. Tais jatos têm a capacidade de remover gás da galáxia, conforme discutido em estudos astrofísicos sobre núcleos galácticos ativos.
Esse mecanismo é crucial, pois o gás é o combustível primordial para a criação de novas estrelas. A perda significativa desse material pode alterar fundamentalmente a evolução de uma galáxia. A observação de VV 340a por uma equipe liderada por Justin Kader oferece uma visão sem precedentes desse processo em ação, conforme relatado no ScienceDaily.
A mecânica do jato oscilante e seu impacto
A galáxia VV 340a, um laboratório cósmico ideal para estudar a interação entre buracos negros e suas hospedeiras, revelou um comportamento singular. A equipe de pesquisa rastreou o jato e o gás expelido usando uma combinação robusta de telescópios espaciais e terrestres, como o James Webb Space Telescope, Keck-II, o Karl G. Jansky Very Large Array (VLA) e o Observatório ALMA.
Os dados coletados indicam que o jato ioniza o gás e o afasta do centro galáctico. Estima-se que a galáxia esteja perdendo gás a uma taxa impressionante de 19,4 ± 7,9 massas solares por ano, o equivalente a cerca de 19 sóis anualmente. Essa vazão é suficiente para comprometer seriamente o suprimento de material necessário para o surgimento de novas estrelas.
O aspecto mais notável é a precessão do jato, que não se move em linha reta, mas sim em um movimento cônico lento, similar a um pião oscilante. Observações de rádio em larga escala revelaram que o jato forma um padrão helicoidal à medida que se propaga. Esta é a primeira vez que um jato de rádio em precessão, abrangendo escalas de quiloparsecs, é observado em uma galáxia de disco. Tal movimento incomum permite que o jato interaja com mais gás circundante, tornando-o mais eficiente na expulsão de matéria.
Gás incomum e o futuro da formação estelar
O gás expulso de VV 340a é altamente energizado e fortemente ionizado, um tipo conhecido como gás de linha coronal, termo emprestado da atmosfera solar. Normalmente, esse gás é encontrado muito próximo ao buraco negro. Contudo, em VV 340a, ele se estende muito além do usual, revelado por observações infravermelhas do James Webb.
A presença de grandes quantidades de poeira na galáxia bloqueia a luz visível, mas os comprimentos de onda infravermelhos conseguem penetrar, expondo esses processos energéticos ocultos. A hipótese é que, ao se propagar, o jato se acopla ao gás galáctico, aquecendo-o a temperaturas extremas enquanto o empurra para fora do centro, conforme detalhado por pesquisadores do Observatório W. M. Keck.
A descoberta em VV 340a oferece um panorama crucial sobre como a dinâmica de um jato de buraco negro oscilante pode redefinir o destino de uma galáxia. Ao remover o gás vital para a formação de estrelas em taxas elevadas, este fenômeno sublinha a complexa e poderosa interação entre buracos negros supermassivos e a evolução cósmica, abrindo novas frentes para a pesquisa astrofísica.







