A postura agressiva dos Estados Unidos no cenário internacional, marcada pela intervenção militar na Venezuela em 3 de janeiro de 2026 e ameaças de sanções à União Europeia devido à anexação da Groenlândia, está remodelando as bases do impacto econômico global. Tais movimentos, observados desde o início do ano, colocam em xeque a ordem multilateral que por décadas sustentou o crescimento e a estabilidade mundial, conforme aponta uma análise recente da Project Syndicate.
Essa guinada na política externa americana, liderada pelo presidente Donald Trump, sinaliza um afastamento drástico de acordos e alianças estabelecidas. A “Operação Resolução Absoluta” na Venezuela, somada à escalada de tensões com parceiros comerciais tradicionais sobre a Groenlândia, projeta um futuro de incerteza para investidores e mercados. O risco de fragmentação de blocos econômicos e a redefinição de cadeias de suprimentos globais tornam-se palpáveis.
Historicamente, a estabilidade econômica global dependia de um arcabouço de instituições e entendimentos internacionais. A erosão dessa estrutura, impulsionada pelas ações unilaterais dos EUA, pode desencadear uma série de retaliações e desconfianças, com consequências imprevisíveis para a prosperidade coletiva, enfraquecendo pilares do direito internacional e da segurança coletiva.
A desestabilização da ordem internacional e seus custos
A política externa dos Estados Unidos, ao adotar uma abordagem unilateral e confrontacional, mina a confiança em instituições internacionais cruciais. A ameaça de sanções contra nações da União Europeia que se opõem à anexação da Groenlândia não apenas isola aliados históricos, mas também questiona a validade de tratados e acordos comerciais existentes, com Washington justificando a medida como necessidade de segurança nacional.
Especialistas em relações internacionais e economia alertam para os perigos dessa nova era. “A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela quebrou a certeza de paz na América do Sul e exibe uma nova ordem mundial baseada na anarquia”, afirmou Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, em artigo na The Economist. Essa postura pode levar a uma militarização das relações comerciais, onde a força bruta substitui o diálogo e as regras.
Repercussões para mercados e moedas globais
Os mercados financeiros já demonstram sinais de nervosismo diante da incerteza gerada pela política americana. A volatilidade nas bolsas de valores e as oscilações cambiais tornaram-se mais frequentes, refletindo a apreensão dos investidores. Moedas de países emergentes, em particular, sofrem com a fuga de capital em busca de ativos considerados mais seguros, embora a própria estabilidade do dólar possa ser afetada a longo prazo pela erosão da confiança global nos EUA como parceiro confiável.
Além disso, a intervenção militar na Venezuela, que afeta diretamente o fluxo de petróleo na região, tem o potencial de causar choques nos preços das commodities. O Banco Mundial, em seu relatório de Perspectivas Econômicas Globais de 2026, projeta um abrandamento do crescimento global para 2,6% neste ano, citando “tensões geopolíticas crescentes” como um fator de risco significativo, apesar de alguma resiliência geral.
Em suma, a emergência de uma ‘América rogue’ representa um ponto de inflexão para a economia global. As ações unilaterais dos Estados Unidos não apenas desafiam a arquitetura de governança internacional, mas também impõem um novo regime de risco e incerteza. A capacidade de adaptação de nações e empresas a este cenário volátil determinará a resiliência e a trajetória do crescimento econômico nas próximas décadas, exigindo estratégias mais robustas e diversificadas.











