O Freeplay, festival de jogos independentes mais antigo e relevante da Austrália, está em sério risco de encerrar suas atividades após falhar em garantir o financiamento do governo vitoriano. Com duas décadas de existência, a organização alertou que 2026 pode ser seu último ano de operação, um golpe significativo para a vibrante cena de jogos autorais do país.

A crise de financiamento surge após a Creative Victoria, órgão governamental responsável pelo fomento às artes, não incluir o Freeplay na sua rodada de financiamento Creative Enterprises para 2026-2029. Essa decisão deixa o festival sem suporte contínuo, apesar de sua trajetória em promover os jogos como uma forma de arte expressiva e experimental.

Os organizadores expressaram profunda decepção com o desfecho, questionando a prioridade dada aos jogos pelo governo vitoriano. Dos 81 projetos artísticos apoiados pela Creative Enterprises, nenhum é dedicado exclusivamente a jogos ou artes interativas, o que contrasta com a relevância cultural e econômica do setor no país.

O impacto do corte de financiamento no Freeplay festival

A ausência de financiamento contínuo já resultou na impossibilidade de manter os co-diretores remunerados, forçando o festival a operar com um conselho voluntário. Embora o Freeplay sempre tenha contado com o esforço de voluntários e oportunidades de financiamento pontuais, a falta de um apoio estrutural tornou a situação insustentável.

A equipe do Freeplay está agora buscando ideias sobre como utilizar os recursos restantes para melhor servir à comunidade de desenvolvedores australianos, além de explorar rotas alternativas de financiamento. Isso ocorre em um momento em que a indústria australiana de jogos digitais, de forma geral, tem visto um crescimento robusto, impulsionado por incentivos fiscais federais e estaduais que visam posicionar a Austrália como um player global.

A VicScreen, por exemplo, destaca seu investimento de mais de 25 anos em jogos digitais, apoiando desenvolvedores vitorianos e oferecendo programas de fomento à produção e desenvolvimento de talentos. Essa disparidade levanta questões sobre a alocação de recursos e o reconhecimento do valor artístico dos jogos em comparação com outras formas de arte.

Um legado de duas décadas em risco

Fundado em 2004, o Freeplay consolidou-se como um pilar da comunidade australiana de jogos, celebrando o lado experimental, excêntrico e sensível da criação de jogos. O festival tem sido uma plataforma essencial para inúmeras gerações de desenvolvedores, permitindo-lhes experimentar, aprender e crescer, elevando tanto criadores australianos quanto internacionais.

Seu propósito original – defender o valor dos jogos como um meio artístico – permanece mais relevante do que nunca, segundo os organizadores. Ao longo de sua história, o Freeplay tem consistentemente se alinhado com as artes, estabelecendo parcerias com diversas organizações culturais e recebendo apoio de entidades como o Australia Council for the Arts e o próprio governo do estado de Victoria em anos anteriores.

A potencial interrupção do Freeplay não representa apenas a perda de um evento, mas de um espaço vital para a inovação e diversidade cultural no cenário de jogos. A declaração dos organizadores, conforme noticiado pelo GamesIndustry.biz, reforça que os jogos são cruciais para o tecido criativo e cultural da Austrália, e o festival tem sido um defensor inabalável dessa visão por 20 anos.

A incerteza sobre o futuro do Freeplay ressalta a necessidade de um diálogo contínuo sobre o apoio governamental às indústrias criativas, especialmente em setores emergentes como o de jogos. A comunidade e os próprios criadores esperam que soluções possam ser encontradas para preservar este importante farol da inovação e da expressão artística nos jogos australianos.