A 37signals, conhecida por desafiar o status quo tecnológico, lançou o Fizzy, um novo aplicativo de produtividade que promete desmistificar a organização digital. A ferramenta surge como uma resposta direta à crescente complexidade, ao tédio e à proliferação de recursos de inteligência artificial superestimados em aplicativos modernos, buscando um retorno à simplicidade essencial, conforme relatado pela Fast Company.
Jason Fried, CEO da 37signals, tem sido um crítico vocal da direção que as ferramentas de produtividade tomaram. Ele aponta que muitos desses softwares se tornaram enfadonhos, excessivamente complicados e repletos de funcionalidades de IA que falham em entregar o que prometem, oferecendo pouco valor prático. Essa visão impulsionou a criação do Fizzy, desenhado para reverter a tendência de inchaço digital que marcou os últimos anos no setor.
A postura de contestação não é nova para a 37signals. Fried e seu colega David Heinemeier Hansson construíram uma reputação de questionar a sabedoria convencional e criticar tanto as tendências da Big Tech quanto as políticas gerais no ambiente de trabalho. Produtos anteriores da empresa, como o Basecamp para gerenciamento de projetos e o serviço de e-mail Hey, já sinalizavam essa veia rebelde, que sugere uma reavaliação fundamental de como as tarefas são realizadas no dia a dia.
A simplicidade do Fizzy 37signals em um cenário de excessos
O Fizzy, à primeira vista, pode evocar a familiaridade de aplicativos como o Trello, com seu estilo de cartões e quadros Kanban. No entanto, a 37signals o posiciona como uma evolução que resgata os fundamentos da organização, mas com “algumas mudanças” significativas, conforme destaca Fried. O projeto, que começou de forma espontânea, é uma declaração clara contra a sobrecarga de funções que, segundo a empresa, fez com que ferramentas outrora populares perdessem seu propósito original.
A página inicial do Fizzy não esconde sua mentalidade de “nós contra eles”, com críticas diretas a concorrentes como Trello, Jira, Asana e até mesmo GitHub Issues. Essa abordagem sublinha a crença da 37signals de que a indústria se desviou do foco principal: ajudar as pessoas a organizar e concluir tarefas de maneira eficiente, sem distrações desnecessárias ou promessas vazias de inteligência artificial que raramente se concretizam em valor real para o usuário.
Desafiando a era da IA na produtividade
O ceticismo da 37signals em relação à inteligência artificial em aplicativos de produtividade é um ponto central na proposta do Fizzy. Enquanto muitas empresas correm para integrar o maior número possível de funcionalidades de IA, a 37signals argumenta que essa corrida muitas vezes resulta em complexidade desnecessária e em recursos que são mais marketing do que utilidade genuína. A visão é que a verdadeira produtividade vem da clareza e da simplicidade, não de algoritmos que prometem otimização mágica.
Essa perspectiva se alinha com a filosofia de design minimalista e centrado no usuário que a 37signals sempre defendeu. Em vez de adicionar camadas de abstração e automação, o Fizzy busca capacitar os usuários com ferramentas diretas e intuitivas que eles realmente precisam para gerenciar seus projetos e tarefas. É uma aposta na inteligência humana e na capacidade de organização intrínseca, suportada por um software que não atrapalha, mas facilita. Além disso, a 37signals oferece uma camada gratuita para até 1.000 cartões e um plano pago acessível de US$20/mês para uso ilimitado e código aberto, permitindo auto-hospedagem e personalização.
O lançamento do Fizzy pela 37signals não é apenas a introdução de mais um aplicativo no mercado; é um manifesto contra as tendências predominantes na tecnologia de produtividade. Ao focar na essência da organização e rejeitar a complexidade e a supervalorização da IA, a empresa propõe um caminho alternativo. O futuro dirá se essa abordagem mais enxuta e intencional do Fizzy 37signals realmente ressoará com um público cansado de softwares inflados, mas a iniciativa já reacende o debate sobre o que realmente significa ser produtivo na era digital.











