Uma nova pesquisa publicada na Scientific Reports revelou que os cangurus gigantes que habitaram a Terra durante a Era do Gelo eram capazes de pular, contrariando crenças anteriores sobre sua locomoção. O estudo, divulgado em 23 de janeiro de 2026, sugere que esses marsupiais massivos, com até 250 quilos, utilizavam saltos curtos para escapar de predadores, redefinindo nossa compreensão de sua agilidade.
Por muito tempo, a comunidade científica acreditou que animais com mais de 160 quilos seriam pesados demais para seus tornozelos suportarem o impacto do salto, limitando a movimentação dos cangurus pré-históricos a uma caminhada mais lenta. Essa perspectiva mudou com a análise detalhada de fósseis, que agora aponta para uma capacidade biomecânica surpreendente nesses herbívoros da megafauna australiana.
A descoberta é crucial para entender a dinâmica ecológica do Pleistoceno (entre 2,6 milhões e 11.700 anos atrás), período em que esses gigantes coexistiram com predadores formidáveis. A habilidade de realizar saltos curtos oferecia uma vantagem adaptativa significativa, permitindo-lhes reagir rapidamente a ameaças em um ambiente desafiador e perigoso.
Análise biomecânica revela ossos e tendões robustos
Para chegar a essas conclusões, a equipe liderada por Megan Jones e seus colegas examinou os membros posteriores de 94 espécimes modernos e 40 fósseis, cobrindo 63 espécies de cangurus e wallabies, incluindo o grupo extinto Protemnodon. O foco principal foi o quarto metatarso, um osso alongado do pé essencial para o salto em cangurus atuais. Ao analisar seu comprimento e diâmetro, os pesquisadores avaliaram a resistência óssea às forças geradas durante o pulo.
Além disso, os cientistas compararam os ossos do calcanhar dos cangurus gigantes com os de espécies vivas para estimar o tamanho necessário do tendão de Aquiles para absorver as forças de salto em animais tão pesados. Os resultados indicaram que tanto os metatarsos quanto os ossos do calcanhar dos cangurus gigantes eram suficientemente fortes e grandes para suportar a mecânica do salto, conforme detalhado no estudo divulgado pela ScienceDaily.com.
Saltos curtos como estratégia de sobrevivência
Embora mecanicamente capazes de pular, os pesquisadores enfatizam que o salto provavelmente não era a principal forma de locomoção para distâncias longas, dada a ineficiência energética para um corpo tão grande. Em vez disso, a equipe sugere que esses cangurus pré-históricos empregavam rajadas rápidas de saltos, uma tática observada em pequenos roedores e marsupiais hoje. Essa capacidade seria vital para escapar de predadores como os extintos leões marsupiais (Thylacoleo), garantindo sua sobrevivência na Era do Gelo.
A pesquisa, portanto, redesenha a imagem desses icônicos marsupiais, de criaturas lentas e terrestres para animais mais dinâmicos e adaptáveis. A compreensão de suas capacidades de movimento oferece insights valiosos sobre a evolução da locomoção em marsupiais e a complexidade das interações predador-presa em ecossistemas antigos.
As descobertas sobre os cangurus gigantes da Era do Gelo expandem nosso conhecimento sobre a biomecânica de animais extintos e o comportamento da megafauna. Elas abrem caminho para futuras investigações sobre outras espécies de marsupiais pré-históricos, buscando entender como a pressão ambiental e a presença de predadores moldaram suas estratégias de movimento e, em última instância, sua sobrevivência em paisagens antigas. Este estudo não só nos faz reconsiderar o passado, mas também nos impulsiona a explorar novas perguntas sobre a vida selvagem que um dia dominou nosso planeta.












