Uma nova pesquisa da Universidade de Rochester revela um catalisador promissor que pode revolucionar a reciclagem de plásticos, tornando o processo de upcycling dez vezes mais eficiente que a platina. Publicado em 24 de janeiro de 2026, o estudo destaca o carbeto de tungstênio como uma alternativa abundante e de baixo custo, capaz de transformar resíduos plásticos e dióxido de carbono em materiais valiosos.

A crise global do plástico é inegável. Mais de 430 milhões de toneladas são produzidas anualmente, com grande parte virando resíduo que polui ecossistemas. O Brasil, inclusive, é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo.

Essa realidade impulsiona a busca por soluções de upcycling. Diferentemente da reciclagem tradicional, que muitas vezes degrada o material, o upcycling agrega valor ao resíduo, transformando-o em produtos com propriedades superiores. A inovação no campo dos catalisadores surge como um pilar fundamental para essa transformação.

O poder do carbeto de tungstênio e a precisão atômica

Por anos, a indústria e a pesquisa dependeram de metais preciosos como a platina para reações catalíticas essenciais na produção de plásticos e outros bens de consumo. No entanto, a platina é escassa, cara e sua produção está concentrada, principalmente na África do Sul. A busca por alternativas mais sustentáveis e acessíveis levou cientistas a explorar materiais como o carbeto de tungstênio, um composto cerâmico já conhecido por sua dureza e resistência em ferramentas industriais.

A equipe liderada por Marc Porosoff, da Universidade de Rochester, focou na manipulação da estrutura atômica do carbeto de tungstênio para otimizar seu desempenho catalítico. Sinhara Perera, estudante de doutorado no laboratório de Porosoff, explica que as diferentes configurações atômicas, ou fases, do carbeto de tungstênio influenciam diretamente sua eficácia. O desafio era controlar essas fases em condições de reação ativas, o que é notoriamente difícil de medir.

Através de uma técnica inovadora chamada carburização programada por temperatura, os pesquisadores conseguiram criar fases específicas de carbeto de tungstênio, como a β-W2C, diretamente dentro dos reatores químicos, operando a temperaturas acima de 700°C. Essa fase demonstrou desempenho excepcional na conversão de dióxido de carbono em blocos construtores para combustíveis e químicos úteis, rivalizando com a eficácia da platina.

Transformando resíduos em valor: upcycling de plásticos

Além da conversão de CO2, a aplicação mais notável do novo catalisador reside no upcycling de resíduos plásticos. A mesma equipe de pesquisa, em colaboração com Linxao Chen da Universidade do Norte do Texas, demonstrou que o carbeto de tungstênio pode impulsionar o processo de hidrocraqueamento. Este processo quebra moléculas grandes em menores, permitindo a reutilização para criar novos materiais.

O estudo focou no polipropileno, um plástico comum em garrafas e outros produtos. Os resultados foram impressionantes: o carbeto de tungstênio superou a platina em mais de dez vezes na quebra desse tipo de resíduo plástico. Essa eficiência sem precedentes abre caminho para uma reciclagem avançada de plásticos, onde materiais de difícil reaproveitamento podem ser transformados em recursos valiosos, impulsionando a economia circular.

A poluição plástica é um problema global que ameaça ecossistemas e a saúde humana. Inovações como este novo catalisador oferecem uma esperança real para mitigar o problema, fornecendo uma ferramenta poderosa para transformar resíduos em riqueza e reduzir a dependência de recursos virgens.

A descoberta do catalisador de carbeto de tungstênio representa um avanço significativo na busca por soluções mais eficazes e sustentáveis para a gestão de resíduos plásticos e a captura de carbono. Com a capacidade de superar o desempenho da platina a um custo muito menor e com maior abundância, este novo catalisador tem o potencial de redefinir a forma como encaramos o lixo plástico, transformando um passivo ambiental em uma oportunidade econômica e ecológica para o futuro.