Gravataí alcançou uma posição de destaque no cenário econômico gaúcho, firmando-se como a quarta maior economia do Rio Grande do Sul. Este feito, embasado nos dados mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2021, revela um dinamismo notável e reposiciona a cidade no mapa de desenvolvimento do estado. A ascensão de Gravataí, que movimentou um PIB de R$ 22,6 bilhões, ultrapassando municípios tradicionais, reflete uma complexa interação de fatores industriais e logísticos.
Essa escalada não é apenas um número frio; ela representa o resultado de anos de investimentos e da consolidação de um parque industrial robusto, com forte presença do setor automotivo e de autopeças, além de um crescente polo de logística e serviços. A cidade, localizada estrategicamente na Região Metropolitana de Porto Alegre, tem demonstrado resiliência e capacidade de atração de novos negócios, mesmo em períodos de instabilidade econômica, consolidando sua relevância para o desenvolvimento do estado.
A análise da trajetória de Gravataí, que frequentemente disputa posições com outras potências regionais, mostra a importância de uma base produtiva diversificada e da infraestrutura de transporte. A cidade se beneficia da proximidade com a capital e com importantes rodovias, como a BR-290 e a ERS-118, facilitando o escoamento da produção e o acesso a mercados consumidores. No entanto, o que os números revelam também esconde desafios e a necessidade de uma gestão atenta às flutuações setoriais.
Os pilares da ascensão econômica de Gravataí
O desempenho econômico de Gravataí é intrinsecamente ligado à sua vocação industrial. O município abriga uma das maiores plantas da General Motors (GM) na América Latina, um motor significativo para a economia local e regional. A produção automotiva, juntamente com a cadeia de fornecedores e autopeças, gera milhares de empregos e impulsiona outros setores, como o de serviços e comércio. Segundo o IBGE, o setor industrial foi um dos principais propulsores do crescimento do PIB municipal, demonstrando a força desse segmento.
Além da indústria automobilística, Gravataí tem se destacado como um polo logístico. A presença de grandes centros de distribuição e empresas de transporte se intensificou nos últimos anos, atraindo novos investimentos e consolidando a cidade como um hub estratégico para a distribuição de mercadorias no sul do Brasil. Este crescimento multifacetado sugere uma economia menos dependente de um único setor, embora a indústria automotiva ainda desempenhe um papel preponderante. A Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul (Seplag-RS), que compila e analisa esses dados, reforça a relevância do setor de serviços e da administração pública no desempenho geral.
Desafios e a dinâmica dos números no cenário gaúcho
Apesar da celebração por Gravataí estar entre as quatro maiores economias gaúchas, é fundamental observar a “ideologia dos números” – o que eles representam e o que podem mascarar. O PIB municipal, embora seja um indicador crucial, não reflete sozinho a qualidade de vida ou a distribuição de renda. A dependência de grandes indústrias, por exemplo, pode gerar vulnerabilidades em ciclos de desaceleração econômica ou em momentos de transição tecnológica. A volatilidade do setor automotivo, sensível a crises globais e à demanda interna, é um lembrete constante dessa dinâmica.
Manter a posição e buscar um desenvolvimento mais equitativo exige investimentos contínuos em infraestrutura, educação e inovação. A competitividade no cenário gaúcho é acirrada, com municípios como Caxias do Sul e Canoas apresentando também forte desempenho industrial e logístico. Para o economista Ricardo Antunes, professor da UFRGS, “a posição de Gravataí é um atestado de sua pujança, mas também um convite à reflexão sobre a sustentabilidade desse crescimento e a necessidade de diversificação econômica para mitigar riscos futuros”. Este tipo de análise contextualiza a notícia de Gravataí com uma visão mais crítica.
A ascensão de Gravataí ao top 4 da economia gaúcha é um marco significativo, sublinhando a força de seu polo industrial e sua posição estratégica. Contudo, a manutenção e o aprimoramento dessa condição demandam uma visão de longo prazo, que vá além dos números do PIB. É preciso investir em inovação, na qualificação da mão de obra e na atração de setores de alto valor agregado para construir um futuro econômico mais robusto e menos suscetível às oscilações de um único segmento, garantindo que o crescimento se traduza em benefícios amplos para toda a população do município.











