A chegada da Aena na gestão do Aeroporto de Congonhas reacende o debate sobre a viabilidade de voos internacionais a partir do terminal paulistano. Com um plano robusto de investimentos, a concessionária espanhola dá o primeiro passo rumo à modernização que pode, enfim, transformar o perfil de um dos mais movimentados aeroportos do país.

Historicamente, Congonhas tem sido a espinha dorsal da aviação doméstica brasileira, conectando o centro financeiro do país a destinos estratégicos. No entanto, suas limitações estruturais e operacionais, como a pista mais curta e a falta de infraestrutura aduaneira completa, sempre pautaram a discussão sobre a expansão de suas operações para além das fronteiras nacionais. A concessão à Aena em agosto de 2023, com a promessa de um aporte bilionário, altera significativamente esse cenário.

Apesar de a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já permitir voos internacionais em Congonhas desde 2019, conforme a Resolução nº 514, a ausência de um plano de investimentos adequado e de interesse das companhias aéreas impediu a materialização dessas rotas. Agora, a injeção de capital e a expertise da Aena, que gerencia aeroportos em diversos países, trazem uma nova perspectiva para a capital paulista.

O potencial e os desafios dos voos internacionais em Congonhas

A possibilidade de voos internacionais em Congonhas é atraente para o mercado. São Paulo é um hub econômico global, e a oferta de voos diretos para cidades do Mercosul ou destinos de curta e média distância a partir de um aeroporto tão central poderia otimizar o tempo de executivos e turistas. A Aena Brasil, ao assumir a operação, projeta um investimento de aproximadamente R$ 2 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão, visando aprimorar a infraestrutura e a experiência do passageiro.

Contudo, a viabilidade técnica permanece como um ponto central. A pista principal de Congonhas, com 1.940 metros, é considerada curta para aeronaves de grande porte que realizam voos intercontinentais. O foco, portanto, estaria em aeronaves menores e rotas regionais, como para Buenos Aires, Santiago ou Montevidéu. Além disso, a adequação de terminais para processamento de passageiros internacionais, com alfândega e imigração, exige um planejamento cuidadoso e investimentos específicos, como apontado por especialistas do setor aéreo em debates recentes.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a modernização proposta pela Aena inclui a ampliação do terminal de passageiros, a revitalização de pátios e a construção de novas pistas de taxiamento. Essas melhorias são cruciais para aumentar a capacidade operacional e a segurança do aeroporto, elementos fundamentais para qualquer expansão de rotas, sejam elas domésticas ou internacionais. O CEO da Aena Brasil, Santiago Yus, já indicou que a prioridade é a eficiência, mas sem descartar o potencial para novas rotas.

A Aena: um novo modelo de gestão para o aeroporto paulistano

A entrada da Aena, maior operadora de aeroportos do mundo por número de passageiros, em Congonhas representa uma mudança paradigmática. A empresa já administra outros 16 aeroportos no Brasil, incluindo os de Recife e Maceió, e tem um histórico de sucesso na otimização de operações aeroportuárias. A estratégia para Congonhas envolve não apenas a modernização física, mas também a introdução de novas tecnologias e processos que visam aprimorar a experiência do passageiro e a eficiência operacional.

A expectativa é que a concessionária consiga maximizar o uso dos slots existentes, que são horários de pouso e decolagem extremamente disputados em Congonhas. A melhoria da infraestrutura e dos sistemas de gestão de tráfego aéreo pode liberar capacidade, ainda que marginalmente, para a inserção de novas rotas. Esse movimento pode atrair companhias aéreas interessadas em explorar o potencial de voos internacionais de curta e média distância, que atendam à demanda por conexões rápidas e diretas a partir do coração de São Paulo.

Ainda que o cenário para voos intercontinentais a partir de Congonhas permaneça distante, a Aena, ao investir pesadamente na modernização e eficiência do aeroporto, estabelece as bases para uma nova era. A materialização de voos internacionais, mesmo que focados na América do Sul, representaria um avanço significativo para a conectividade de São Paulo e para a integração regional, consolidando Congonhas como um polo ainda mais estratégico na malha aérea brasileira e sul-americana.