A Bemobi Mobile Tech anunciou a aquisição da Paytime, startup de soluções de pagamentos, reforçando sua estratégia de crescer no segmento de ‘payment as a service’. O movimento posiciona a Bemobi para ampliar sua oferta B2B, integrando serviços financeiros e acelerando a diversificação de receita no mercado digital brasileiro.
Esta transação, divulgada no final de 2023, representa um passo crucial para a Bemobi, tradicionalmente conhecida por seus serviços de conteúdo e assinaturas digitais. A entrada robusta no setor de pagamentos como serviço sinaliza uma ambição de se consolidar como um ecossistema completo, oferecendo não apenas entretenimento, mas também infraestrutura financeira para outras empresas.
O mercado de pagamentos digitais no Brasil experimenta um crescimento exponencial, impulsionado pela digitalização acelerada e pela popularização de ferramentas como o Pix. Nesse cenário, empresas que conseguem oferecer soluções de pagamento integradas e eficientes ganham uma vantagem competitiva significativa, atendendo à demanda crescente por flexibilidade e conveniência.
A estratégia por trás da aquisição da Paytime
A aquisição da Paytime pela Bemobi não é um evento isolado, mas parte de uma estratégia de diversificação e expansão de longo prazo. A Paytime, com sua expertise em tecnologia de pagamentos e soluções de embedded finance, complementa a vasta base de usuários e os canais de distribuição da Bemobi.
Segundo o comunicado ao mercado da Bemobi Mobile Tech, a integração das operações da Paytime permitirá à companhia oferecer um portfólio mais amplo de serviços para seus parceiros de negócios, que vão desde operadoras de telecomunicações até grandes varejistas. Com isso, a Bemobi busca capturar uma fatia maior do valor gerado nas transações digitais, que historicamente ficava restrita a outros players do mercado financeiro.
Especialistas do setor financeiro observam que a estratégia da Bemobi reflete uma tendência global de convergência entre empresas de tecnologia e o mercado financeiro. “Empresas com grande volume de dados e base de usuários, como a Bemobi, veem no ‘payment as a service’ uma oportunidade natural para monetizar seu ecossistema, oferecendo serviços financeiros que antes eram exclusividade de bancos e fintechs tradicionais”, explica Ana Paula Medeiros, analista sênior de fintechs da XP Investimentos.
O futuro do ‘payment as a service’ no Brasil
O ‘payment as a service’ (PaaS) é uma modalidade que permite a empresas de diversos setores integrar funcionalidades de pagamento em seus próprios produtos e serviços, sem a necessidade de desenvolver toda a infraestrutura do zero. Isso inclui desde o processamento de transações até a gestão de risco e o compliance regulatório.
Dados do Banco Central do Brasil indicam que o volume de transações eletrônicas no país continua em ascensão, com o Pix consolidando-se como um dos meios de pagamento mais utilizados. Este cenário de alta digitalização cria um terreno fértil para provedores de PaaS, que facilitam a entrada de novas empresas no mercado de pagamentos ou aprimoram a oferta das já existentes.
Um estudo da Statista projeta que o mercado global de embedded finance, do qual o PaaS é um componente chave, deve atingir trilhões de dólares nos próximos anos. No Brasil, essa tendência é amplificada pela desbancarização e pela busca por soluções financeiras mais ágeis e menos burocráticas, o que abre um vasto campo para empresas como a Bemobi com a aquisição da Paytime.
A movimentação da Bemobi para fortalecer sua atuação em ‘payment as a service’ com a Paytime ilustra uma visão estratégica de longo prazo, posicionando-a para ir além de seu core business original. A capacidade de oferecer uma infraestrutura de pagamentos robusta e flexível pode transformar a companhia em um player ainda mais relevante no cenário digital brasileiro, capitalizando sobre a crescente demanda por soluções financeiras integradas e eficientes em um mercado em constante evolução.












