O recente e devastador vendaval que varreu a Grande São Paulo em 3 de novembro de 2023, com rajadas de vento que superaram os 100 km/h, impulsionou o Climatempo a reavaliar e ajustar seus parâmetros para a medição e classificação de fenômenos meteorológicos extremos. Essa decisão visa aprimorar a comunicação de riscos e a compreensão pública sobre eventos climáticos cada vez mais intensos e localizados, como as microexplosões.

O evento, que causou mortes, milhões de residências sem energia elétrica e um prejuízo material estimado em centenas de milhões de reais, expôs a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e a necessidade de uma linguagem mais precisa para descrever a intensidade e o tipo de fenômeno. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmaram ventos de 104 km/h na região da capital paulista.

A dificuldade em categorizar e prever com exatidão esses fenômenos localizados levou a uma percepção pública de subavaliação do risco, o que o Climatempo busca corrigir. A iniciativa reflete uma tendência global de adaptação dos serviços meteorológicos frente à crescente frequência e intensidade de eventos extremos, muitas vezes atribuída às mudanças climáticas e à urbanização acelerada.

A redefinição dos parâmetros do Climatempo para ventos extremos

A mudança nos parâmetros do Climatempo foca na distinção entre vendavais generalizados e eventos mais pontuais, como as microexplosões (ou downbursts). Antes, a comunicação tendia a agrupar todos os ventos fortes sob a denominação “vendaval”. Agora, o objetivo é ser mais específico, classificando os fenômenos de acordo com sua origem e padrão de impacto. Uma microexplosão, por exemplo, é caracterizada por uma corrente de ar descendente intensa que se espalha horizontalmente ao atingir o solo, causando destruição em uma área restrita, mas com força equivalente a um tornado em menor escala.

Segundo Cátia Braga, meteorologista do Climatempo, em declaração a veículos de imprensa, “o evento de 3 de novembro em São Paulo não foi um vendaval comum, mas sim uma microexplosão. É crucial que a população e as autoridades compreendam essa diferença para uma resposta mais eficaz”. Essa diferenciação é vital, pois a intensidade e o padrão de danos de uma microexplosão exigem ações de prevenção e alerta distintas das de um vendaval de frente fria. A revisão dos parâmetros permite que os alertas sejam mais precisos, indicando não apenas a velocidade do vento, mas também a natureza do fenômeno.

Impactos na previsão e segurança pública

A adoção de novos parâmetros para a medição do Climatempo vendaval SP e outros fenômenos extremos tem implicações diretas na capacidade de previsão e na segurança da população. Ao identificar e comunicar o tipo específico de evento, os meteorologistas podem fornecer informações mais detalhadas sobre as áreas mais suscetíveis e os tipos de danos esperados. Isso permite que a Defesa Civil e outras autoridades planejem respostas mais direcionadas, desde a poda preventiva de árvores até a evacuação de áreas de risco.

Além disso, a clareza na terminologia ajuda a educar o público. Entender que uma microexplosão pode causar danos severos em um bairro enquanto o bairro vizinho permanece intacto é fundamental para que as pessoas saibam como reagir aos alertas. A comunicação de risco se torna mais eficaz quando o cidadão compreende a especificidade do perigo. Pesquisas sobre percepção de risco climático, como as publicadas no Journal of Climate, frequentemente destacam a necessidade de mensagens claras e específicas para fomentar a ação preventiva individual e coletiva.

A mudança de paradigma do Climatempo é um passo relevante para a meteorologia brasileira, alinhando-a às melhores práticas internacionais de comunicação de risco. Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, a precisão na medição e na terminologia se torna não apenas uma questão técnica, mas uma ferramenta essencial para a resiliência urbana. A expectativa é que essa revisão leve a alertas mais eficazes e a uma população mais preparada para enfrentar os desafios impostos por um clima em constante transformação. A capacidade de prever e comunicar a ocorrência de microexplosões, em particular, será um diferencial na proteção de vidas e patrimônios nos grandes centros urbanos.