Novas pesquisas indicam que as plantas da Terra absorvem muito menos dióxido de carbono (CO2) do que os modelos climáticos previam. A superestimativa na fixação de nitrogênio, crucial para o crescimento vegetal, diminui o papel das plantas na mitigação do aquecimento global e alerta para a necessidade de revisões urgentes.
Por décadas, cientistas consideraram que o aumento do CO2 na atmosfera, principal motor das mudanças climáticas, seria parcialmente compensado pelo crescimento acelerado das plantas. Esse efeito, conhecido como “fertilização por CO2”, parecia oferecer um amortecedor natural contra o aquecimento. Contudo, essa premissa dependia de um fator crítico: a disponibilidade de nitrogênio.
O nitrogênio é um nutriente essencial para o desenvolvimento das plantas, mas não pode ser utilizado diretamente. Ele precisa ser convertido em uma forma assimilável por meio de um processo chamado fixação de nitrogênio, realizado por microrganismos no solo. A compreensão dessa dinâmica revelou uma falha significativa nos cálculos dos modelos climáticos globais.
A superestimativa da fixação natural de nitrogênio
Um estudo recente, envolvendo a Universidade de Graz e publicado na revista PNAS, revelou que a fixação natural de nitrogênio tem sido superestimada em cerca de 50% nos principais modelos de sistemas terrestres. Essa descoberta, crucial para a compreensão do ciclo do carbono, aponta para uma falha significativa nas projeções climáticas.
A bióloga Bettina Weber, da Universidade de Graz, que integra o grupo de pesquisa internacional, destacou a discrepância. “Comparamos modelos de sistemas terrestres com valores atuais de fixação de nitrogênio e descobrimos uma superestimativa de cerca de 50% em superfícies naturais”, afirmou Weber.
A consequência direta é uma redução de aproximadamente 11% no efeito de fertilização por CO2 projetado. Isso significa que os benefícios esperados do crescimento vegetal para o resfriamento climático são menores do que se pensava, oferecendo uma capacidade de amortecimento reduzida contra as mudanças climáticas.
Implicações para os modelos climáticos e o futuro
Ajustar os modelos climáticos para refletir essas novas medições é urgente. Segundo informações do portal ScienceDaily, Bettina Weber enfatiza que “gases como óxidos de nitrogênio e óxido nitroso são produzidos no ciclo do nitrogênio. Estes podem ser liberados na atmosfera e alterar processos climáticos”.
A precisão no cálculo da dinâmica do nitrogênio é, portanto, essencial para projeções confiáveis sobre como os ecossistemas e o clima responderão no futuro. A incerteza introduzida por essa superestimativa nos lembra da complexidade das interações ambientais e da necessidade contínua de refinamento científico.
Enquanto a fixação de nitrogênio natural foi superestimada, o estudo também observa que o processo aumentou em 75% nos últimos 20 anos devido à agricultura. Este dado adiciona uma camada de complexidade, indicando que intervenções humanas podem alterar o ciclo do nitrogênio com impactos climáticos ainda incertos.
A reavaliação da capacidade das plantas de absorver CO2, impulsionada pela correção nos cálculos da fixação de nitrogênio, exige uma revisão profunda dos modelos climáticos. Projeções futuras de aquecimento global devem incorporar esses dados para cenários mais realistas e embasar políticas climáticas eficazes.
A ciência continua a desvendar as nuances do nosso planeta, reforçando a urgência de ações baseadas em evidências precisas para um futuro mais sustentável e resiliente diante das mudanças climáticas.










