Cientistas da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS) anunciaram uma descoberta promissora: uma maneira mais segura de fazer as células queimarem mais calorias. Publicada em 5 de janeiro de 2026, esta pesquisa manipula sutilmente a forma como as mitocôndrias produzem energia, oferecendo uma nova perspectiva para o tratamento da obesidade sem os riscos associados a métodos antigos.
A obesidade permanece uma crise de saúde pública global, com mais de um bilhão de pessoas afetadas em 2022 e 43% dos adultos com sobrepeso. Esta condição aumenta significativamente o risco de doenças graves como diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer. A busca por soluções mais seguras e eficazes para impulsionar o gasto calórico é, portanto, intensa.
A equipe, liderada pelo Professor Associado Tristan Rawling, do UTS, em colaboração com a Memorial University of Newfoundland, no Canadá, focou em compostos conhecidos como “desacopladores mitocondriais”. Estes estimulam as células a consumir mais energia, liberando parte dela como calor, em vez de convertê-la totalmente em trifosfato de adenosina (ATP), a principal moeda energética celular.
O perigoso histórico dos desacopladores mitocondriais
A ideia de interferir na produção de energia mitocondrial remonta a um século. Contudo, as primeiras substâncias com essa capacidade eram extremamente perigosas, causando superaquecimento severo e, muitas vezes, fatais. Um exemplo notório é o 2,4-Dinitrofenol (DNP), que foi brevemente comercializado nos anos 1930 como um dos primeiros medicamentos para perda de peso.
O Professor Rawling compara o processo a uma barragem hidrelétrica com um vazamento, onde parte da energia é perdida como calor. Ele destaca que o DNP foi descoberto durante a Primeira Guerra Mundial, quando trabalhadores de fábricas de munição apresentaram perda de peso e febres altas, com desfechos trágicos. Sua eficácia era inegável, mas a proximidade perigosa entre a dose terapêutica e a letal levou à sua proibição.
A inovação dos desacopladores “leves” e seus benefícios
No estudo atual, os pesquisadores da UTS buscaram superar esses riscos desenvolvendo versões mais seguras, os chamados desacopladores mitocondriais “leves”. Eles modificaram cuidadosamente a estrutura química de moléculas experimentais, permitindo controlar a intensidade do aumento do uso de energia dentro das células. Alguns desses compostos elevaram a atividade mitocondrial sem causar danos ou interferir na produção essencial de ATP.
Os desacopladores mitocondriais “leves” operam de forma mais sutil, permitindo que as células tolerem o processo e reduzindo significativamente o risco de efeitos colaterais prejudiciais. A pesquisa foi reconhecida como “escolha da semana” pela Chemical Science, a principal revista da Royal Society of Chemistry do Reino Unido, enfatizando a relevância dessa abordagem refinada.
Além do potencial para o tratamento da obesidade, esses desacopladores leves demonstraram reduzir o estresse oxidativo nas células. Essa diminuição pode contribuir para um metabolismo mais saudável, retardar processos relacionados ao envelhecimento e oferecer proteção contra condições neurodegenerativas, como a demência. Embora em estágios iniciais, os resultados delineiam um roteiro promissor para uma nova geração de medicamentos.
Esses futuros tratamentos poderão aproveitar as vantagens do desacoplamento mitocondrial moderado, ao mesmo tempo em que evitam os perigos que assolaram as abordagens anteriores. A descoberta, conforme detalhado no portal ScienceDaily, representa um avanço significativo na busca por soluções mais seguras e eficazes para problemas metabólicos complexos.










