Pesquisadores descobriram que a combinação de silybin e carvedilol, dois medicamentos já aprovados para outros fins, mostra-se significativamente mais eficaz contra a fibrose hepática do que cada um isoladamente. Esta abordagem combinada oferece uma nova esperança para milhões de pessoas afetadas por esta condição silenciosa, que carece de tratamentos específicos aprovados.

A fibrose hepática é uma condição comum, mas frequentemente subestimada, que afeta centenas de milhões de indivíduos em todo o mundo. Ao longo do tempo, pode evoluir para cirrose ou câncer de fígado, representando um grave problema de saúde pública. De acordo com informações divulgadas pelo ScienceDaily em janeiro de 2026, apesar de décadas de pesquisa, ainda não existem medicamentos antifibróticos aprovados para uso clínico.

A doença se desenvolve quando danos hepáticos repetidos ou crônicos – causados por hepatite viral, consumo excessivo de álcool, distúrbios metabólicos ou doenças autoimunes – desencadeiam uma resposta de cicatrização excessiva. Este processo ativa as células estreladas hepáticas (HSCs), que se transformam em células produtoras de colágeno, acumulando tecido cicatricial no fígado.

A sinergia de silybin e carvedilol contra a fibrose

Um estudo publicado na revista Targetome em 15 de dezembro de 2025, pela equipe de Hong Wang e Haiping Hao, da China Pharmaceutical University, relata que uma combinação de silybin e carvedilol pode suprimir fortemente a ativação das células estreladas hepáticas. Ao focar na via de sinalização Wnt4/β-catenina, a dupla de fármacos conseguiu reverter a fibrose hepática em modelos experimentais.

Inicialmente, testes focaram no potencial da silybin isoladamente. A substância protegeu as células hepáticas, restaurando a viabilidade, reduzindo espécies reativas de oxigênio e a atividade de genes inflamatórios. Contudo, seu efeito antifibrótico direto, como a redução de marcadores como COL1A1 e COL1A2, foi modesto, indicando que seus benefícios vinham mais da proteção celular do que do bloqueio direto da ativação das HSCs.

Para superar essa limitação, a equipe de pesquisa rastreou 397 medicamentos aprovados pela FDA, buscando um parceiro que pudesse potencializar o efeito antifibrótico da silybin. O carvedilol emergiu como o parceiro sinérgico mais forte. Quando usados juntos, silybin e carvedilol reduziram drasticamente a produção de colágeno e a ativação de HSCs em culturas de células humanas e de ratos, superando a eficácia de cada droga isoladamente.

Mecanismo de ação e o caminho para a clínica

Estudos mecanicistas revelaram por que a combinação funciona tão bem. Silybin e carvedilol, em conjunto, desativam a via de sinalização Wnt/β-catenina de forma mais eficaz do que qualquer um dos fármacos sozinho. Isso inclui a supressão do ligante Wnt4 e a redução da atividade de β-catenina, fornecendo uma explicação molecular clara para o sucesso da combinação.

A descoberta é particularmente promissora porque tanto o silybin quanto o carvedilol já são medicamentos aprovados e amplamente prescritos para outras condições médicas. Esta característica singular pode acelerar significativamente sua tradução para a prática clínica, contornando anos de testes de segurança e eficácia que seriam exigidos para uma nova droga. Com isso, oferece-se uma rota prática e potencialmente rápida para um tratamento tão aguardado para a fibrose hepática.

A perspectiva de utilizar medicamentos já conhecidos, com perfis de segurança e dosagens estabelecidos, representa um avanço notável na busca por terapias. Isso pode encurtar drasticamente o longo e custoso processo de desenvolvimento de novas drogas, que frequentemente falha em fases avançadas. Assim, esta pesquisa traz uma esperança tangível para os milhões de pacientes que aguardam uma solução eficaz para a fibrose hepática, uma condição que, até o momento, carece de terapias aprovadas e que impacta profundamente a qualidade de vida e a longevidade.