Uma crescente incerteza permeia o cenário geopolítico mundial, especialmente entre os aliados tradicionais dos Estados Unidos, após recentes intervenções que questionam as normas do direito internacional. Ações como a observada na Venezuela, criticadas por figuras como Joseph E. Stiglitz, apontam para uma nova era do império americano, com desdobramentos imprevisíveis para a estabilidade global.

O cenário atual é marcado por uma percepção de que a política externa dos EUA tem demonstrado um desrespeito por acordos e instituições internacionais, gerando apreensão. Essa postura, que se manifesta em ameaças a países e aliados como Dinamarca e Canadá, sugere uma redefinição das relações de poder e da ordem mundial estabelecida.

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, conforme destacado por Stiglitz em artigo para o Project Syndicate em 9 de janeiro de 2026, é um exemplo contundente dessa guinada. A comunidade internacional observa com preocupação as violações da lei internacional e o desdém por normas de longa data, indicando que as consequências serão negativas para todos.

As implicações da política externa unilateral

A abordagem unilateral dos Estados Unidos tem levantado questões sobre a validade e a eficácia das instituições globais criadas para manter a paz e a segurança. Organizações como as Nações Unidas manifestaram profunda preocupação, alertando que a intervenção militar dos EUA na Venezuela minou um princípio fundamental do direito internacional.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, afirmou que nenhum Estado deve ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado. A responsabilização por violações de direitos humanos não deve ser alcançada através de uma intervenção militar unilateral.

Historicamente, a confiança em alianças e tratados tem sido um pilar da segurança global. No entanto, a recente série de ações e retóricas dos EUA, que incluem a imposição de sanções e a renegociação de acordos comerciais, tem forçado aliados a reavaliar suas próprias estratégias e dependências geopolíticas.

O custo global de um novo imperialismo

A busca por uma nova era de influência imperial por parte dos EUA acarreta custos significativos, tanto para a própria nação quanto para o restante do mundo. A incerteza econômica e política gerada por essa postura afeta mercados globais, cadeias de suprimentos e o investimento estrangeiro direto.

Especialistas em economia política alertam que a desestabilização de regiões estratégicas, como a América Latina, pode ter repercussões que se estendem muito além das fronteiras dos países diretamente envolvidos. A migração em massa, a crise humanitária e a instabilidade regional são apenas algumas das consequências potenciais.

Além disso, o enfraquecimento das relações com aliados tradicionais pode isolar os Estados Unidos em momentos de crise, comprometendo a cooperação em questões cruciais como terrorismo, mudanças climáticas e pandemias globais. A longo prazo, essa estratégia pode corroer a própria base do poder americano.

Em síntese, a nova era do império americano, caracterizada por ações unilaterais e desrespeito ao direito internacional, representa um ponto de inflexão na política global. Os desdobramentos futuros exigirão uma vigilância constante e um esforço coletivo para preservar a ordem baseada em regras, que é essencial para a paz e a prosperidade mundiais.