Uma pesquisa recente da Oregon Health & Science University (OHSU), divulgada em 10 de janeiro de 2026, revelou que dormir menos de sete horas por noite pode, de fato, encurtar a expectativa de vida das pessoas. Este estudo abrangente sugere que o sono insuficiente é um preditor mais forte de longevidade do que a dieta, o exercício físico ou até mesmo o isolamento social, posicionando-se apenas atrás do tabagismo em termos de impacto na duração da vida.

A descoberta, publicada no jornal SLEEP Advances, desafia a percepção comum de que a alimentação e a atividade física são os pilares inquestionáveis da saúde a longo prazo. Os pesquisadores da OHSU analisaram um vasto banco de dados nacional, comparando a expectativa de vida em condados dos EUA com dados detalhados de pesquisas coletadas pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) entre 2019 e 2025.

Ao examinar diversos fatores de estilo de vida, o sono emergiu como um elemento surpreendentemente dominante. A consistência da correlação entre a duração do sono e a expectativa de vida foi notável, mantendo-se firme ano após ano e em praticamente todos os estados americanos analisados.

O sono como pilar esquecido da longevidade

O professor Andrew McHill, Ph.D., autor sênior do estudo e associado em diversas escolas da OHSU, expressou surpresa com a força da correlação. “Nunca esperamos que fosse tão fortemente correlacionado à expectativa de vida”, afirmou McHill, destacando a necessidade de priorizar o sono tanto quanto a alimentação ou o exercício.

O estudo aponta que as recomendações da American Academy of Sleep Medicine e da Sleep Research Society, que indicam de sete a nove horas de sono por noite, são cruciais para a saúde a longo prazo. Embora a pesquisa não tenha se aprofundado nos mecanismos biológicos exatos que ligam o sono à longevidade, McHill ressaltou o papel vital do sono na saúde cardiovascular, na função imunológica e no desempenho cerebral.

A privação crônica de sono pode levar a uma série de problemas de saúde que, cumulativamente, contribuem para uma menor expectativa de vida.

Implicações para a saúde pública e individual

Esta é a primeira vez que um estudo acompanha as tendências anuais da relação entre sono e expectativa de vida em todos os estados dos EUA, fornecendo uma base sólida para políticas de saúde pública e conscientização individual. A constatação de que o sono insuficiente superou a dieta e o exercício como preditor de longevidade em quase todos os modelos analisados é um alerta.

Para muitos, o sono é visto como um luxo ou uma atividade que pode ser adiada, especialmente com as demandas da vida moderna. No entanto, os resultados desta pesquisa, conforme noticiado por ScienceDaily, reforçam que uma boa noite de sono não apenas melhora o bem-estar diário, mas também desempenha um papel fundamental na duração da vida. Priorizar o descanso adequado pode ser uma das estratégias mais eficazes e, muitas vezes, subestimadas para viver mais e melhor.

Em um cenário onde a busca por uma vida longa e saudável é constante, a revalorização do sono emerge como uma necessidade urgente. É fundamental que indivíduos e sistemas de saúde reconheçam o sono não apenas como um componente de recuperação, mas como um determinante crítico da longevidade, integrando-o de forma mais proativa nas estratégias de bem-estar.