Um novo estudo internacional, divulgado pelo ScienceDaily, traz resultados promissores para pacientes em diálise: um suplemento diário de óleo de peixe reduziu significativamente eventos cardíacos graves. Publicada no The New England Journal of Medicine, essa descoberta oferece rara esperança a uma população com alto risco cardiovascular.

A pesquisa, conhecida como estudo PISCES, acompanhou 1.228 participantes em hemodiálise em 26 centros na Austrália e Canadá. Pacientes em diálise enfrentam riscos cardiovasculares extremamente altos, com cerca de 40% a 50% das mortes nesta população sendo atribuídas a causas cardíacas.

Historicamente, poucas terapias demonstraram eficácia consistente na redução desses riscos. A suplementação com ácidos graxos ômega-3, como o EPA e DHA encontrados no óleo de peixe, já era conhecida por seus benefícios cardiovasculares em outras populações, mas sua aplicação específica em pacientes dialíticos carecia de evidências robustas.

Um avanço notável na nefrologia

Os resultados do estudo PISCES são impressionantes: os participantes que receberam quatro gramas de óleo de peixe diariamente apresentaram uma redução de 43% em eventos cardiovasculares graves. Isso inclui infartos, derrames, mortes cardíacas e amputações relacionadas a problemas vasculares. O Adjunto Professor Kevan Polkinghorne, nefrologista da Monash Health e líder da parte australiana do ensaio, destacou que “em um campo onde muitos ensaios foram negativos, este é um achado significativo”.

Pacientes em diálise frequentemente possuem níveis de EPA e DHA mais baixos do que a população geral, o que pode explicar a magnitude do benefício observado neste grupo específico. Além disso, não houve aumento no risco de sangramento grave entre os que tomaram o suplemento, um ponto importante para a segurança.

Especificidade e cautela nos resultados

É crucial ressaltar que as conclusões do estudo PISCES são específicas para indivíduos em hemodiálise por insuficiência renal. O professor Polkinghorne advertiu que os achados não devem ser extrapolados para pessoas saudáveis ou outras populações de pacientes. Esta ressalva é fundamental, especialmente considerando que outros estudos apontam para riscos potenciais do óleo de peixe em populações sem histórico de doenças cardíacas.

Apesar da robustez do desenho do estudo, que foi duplo-cego e randomizado, alguns especialistas sugerem uma postura de cautela e a necessidade de ensaios confirmatórios antes de uma recomendação generalizada. No entanto, a perspectiva de uma terapia simples e acessível para uma complicação tão devastadora é um marco para a medicina renal.

A pesquisa do estudo PISCES, co-liderada pela Monash University e outras instituições, marca um avanço significativo na gestão do risco cardiovascular para pacientes em diálise. Essa população é notoriamente vulnerável a complicações cardíacas.

Embora a recomendação médica deva ser individualizada e baseada em diretrizes futuras, a evidência sugere que o óleo de peixe pode se tornar um componente vital no tratamento de suporte. A comunidade científica aguarda com expectativa os próximos passos para consolidar essa promissora intervenção.