Michał Kiciński, cofundador da CD Projekt RED, assumiu a GOG em uma jogada estratégica para revitalizar a plataforma de jogos DRM-free e desafiar a concorrência da Steam. A aquisição, concretizada após o Natal de 2025, sinaliza um novo foco na expansão e na identidade única da GOG no mercado digital.

A venda da GOG pela CD Projekt RED não foi uma surpresa para Maciej Gołębiowski, diretor-gerente da plataforma, que apontou estratégias divergentes entre as empresas como o principal motivo para a transação. Essa separação permite que a GOG defina seu próprio caminho, livre das prioridades de uma gigante focada em títulos AAA, conforme discutido em entrevista ao GamesIndustry.biz.

Embora a GOG não fosse um grande gerador de lucros para a CDPR – com lucratividade líquida de -0,9% no primeiro semestre de 2025 –, Kiciński enfatiza que a decisão de venda foi mais estratégica do que financeira. A plataforma, agora independente, tem a chance de brilhar sem competir por recursos internos, focando em suas próprias metas de sucesso.

Por que Kiciński aposta na GOG?

Michał Kiciński, que cofundou a CD Projekt ao lado de Marcin Iwiński em 1994, vê na GOG um potencial de crescimento massivo, apesar da dominância da Steam no mercado, que detém aproximadamente 75% da fatia global de distribuição de jogos para PC. Para ele, essa hegemonia representa uma oportunidade, e não um obstáculo, facilitando a conquista de uma fatia do mercado digital, como detalhado em estatísticas de mercado.

A aquisição também possui um forte componente emocional. Kiciński, que deixou a CDPR há mais de uma década, ainda se sente ligado à GOG, sua ‘cria’, e não queria vê-la ‘engolida por alguma corporação muito grande’. Ele almejava evitar um destino comum em processos de fusão e aquisição, onde empresas são desmanteladas ou equipes demitidas, preservando a identidade da plataforma.

Há ainda um elemento patriótico na compra. Kiciński destaca a importância de manter a GOG como uma empresa polonesa e europeia, contribuindo para a diversidade no mercado global de jogos. A Polônia, com 824 estúdios de desenvolvimento de jogos em 2025, conforme o relatório da PARP, oferece um cenário fértil para a GOG apoiar talentos locais.

Estratégia da GOG para a concorrência Steam

Para competir com o domínio da Steam, Kiciński planeja focar nas fortalezas intrínsecas da GOG: ser uma plataforma DRM-free e distribuidora de jogos clássicos. Ele acredita que não há necessidade de imitar outros modelos, mas sim de aprimorar o que já torna a GOG única e valorizada por sua base de usuários, oferecendo uma experiência de propriedade completa.

A GOG tem se distinguido ao longo dos anos por sua dedicação a títulos antigos e pela ausência de gerenciamento de direitos digitais (DRM). Pesquisas indicam que jogos sem DRM podem ter desempenho marginalmente melhor e oferecem maior liberdade ao consumidor. A plataforma já distribui jogos novos, como o polêmico ‘Horses’ da Santa Ragione, recusado por Steam e Epic Games Store, demonstrando sua política de liberdade editorial e de escolha, conforme um estudo sobre DRM.

Esse posicionamento permite à GOG construir uma comunidade leal e atrair jogos que buscam um modelo de distribuição alternativo. A independência recém-adquirida garante que a GOG possa priorizar essas estratégias sem interferências, buscando o sucesso em seus próprios termos e solidificando sua posição no ecossistema de jogos digitais, promovendo a liberdade do jogador.

A nova fase da GOG sob a liderança de Michał Kiciński promete um foco renovado em sua essência DRM-free e na curadoria de um catálogo diversificado, desafiando a concorrência da Steam pela diferenciação. O futuro da plataforma dependerá de sua capacidade de expandir sua base de usuários e de atrair desenvolvedores que compartilham sua visão, solidificando seu espaço como alternativa vital no cenário dos jogos digitais.