O Tribunal de Emprego de Glasgow negou o pedido de alívio provisório para funcionários demitidos da Rockstar, marcando um revés inicial para a Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB) na disputa trabalhista que envolve alegações de vazamento de informações sobre o aguardado Grand Theft Auto 6, conforme reportado pelo veículo Gamesindustry.biz. A decisão mantém os ex-colaboradores fora da folha de pagamento da gigante dos games enquanto aguardam a audiência completa do caso.
A controvérsia teve início em novembro de 2025, quando a IWGB acusou a Rockstar de práticas antissindicais após a demissão de 34 funcionários. A empresa, por sua vez, defendeu-se alegando que as dispensas foram motivadas pelo compartilhamento de informações confidenciais em um servidor Discord, e não por tentativas de sindicalização.
Este embate legal destaca a crescente tensão entre os direitos dos trabalhadores e as políticas de confidencialidade na indústria de jogos. O caso ganhou destaque na imprensa especializada, incluindo veículos como IGN e Bloomberg, que acompanham de perto os desdobramentos desta disputa.
A decisão do tribunal de Glasgow é um ponto crucial que pode influenciar futuras discussões sobre a organização sindical e a proteção de propriedade intelectual no setor de games.
A decisão judicial e os argumentos de ambas as partes
A Juíza Frances Eccles, responsável pelo julgamento, afirmou que o tribunal não conseguiu concluir que a principal razão para a demissão dos reclamantes fosse a sua filiação à IWGB. Entre as justificativas apresentadas, destacou-se o fato de que três dos trabalhadores afetados eram baseados no Canadá e não eram membros da IWGB.
Isso enfraqueceria a tese de demissão por motivos sindicais, especialmente porque outros funcionários ligados à IWGB, seja como membros do comitê organizador ou apoiadores, não foram demitidos. Contudo, o julgamento também apontou que alguns colaboradores foram desligados apesar de terem postado muito pouco no servidor Discord, ou de não terem feito postagens por mais de um ano.
A Rockstar baseou suas demissões em comentários obtidos através de “monitoramento secreto” do Discord, sem o conhecimento dos funcionários. Os ex-colaboradores classificam essa prática como uma invasão de privacidade e um procedimento inadequado.
A juíza também notou que as demissões ocorreram com pouquíssimo ou nenhum aviso, sem suspensão prévia ou oportunidade de os funcionários responderem às acusações antes da decisão de desligamento. O representante legal dos trabalhadores, Lord John Hendy KC, argumentou que, na verdade, não houve um vazamento de informações, mas apenas o “risco” de um vazamento.
A Rockstar, através de um representante, manifestou satisfação com a decisão, afirmando que ela é consistente com a sua posição. A empresa lamentou a necessidade das demissões, mas defende a sua linha de ação, que foi apoiada pelo resultado desta audiência.
Implicações para o futuro da disputa trabalhista
O alívio provisório solicitado pela IWGB significaria que os funcionários demitidos seriam reintegrados à folha de pagamento da Rockstar enquanto aguardam a audiência completa do caso. Embora a decisão do tribunal de Glasgow seja um revés para a união, a IWGB expressou otimismo em relação à próxima fase do processo.
Em comunicado, a IWGB declarou que, após ter tido um vislumbre dos “frágeis fundamentos de defesa” da Rockstar, sente-se “reforçada” em suas alegações de que as demissões foram não apenas injustas, mas “manifestamente ilegais”. A união cita ainda a observação da juíza de que “não havia evidência de que a empresa tenha sofrido quaisquer consequências adversas como resultado dessas postagens”.
Este caso é crucial para o debate sobre os direitos dos trabalhadores na indústria de tecnologia e jogos, especialmente no que tange à liberdade de associação sindical e os limites da vigilância corporativa. A batalha legal entre a Rockstar e seus ex-funcionários, apoiados pela IWGB, está longe de terminar, e seus desdobramentos podem estabelecer precedentes importantes para o setor.
A decisão inicial do tribunal de Glasgow, embora desfavorável aos trabalhadores, não encerra a disputa. A audiência completa promete trazer mais detalhes sobre as práticas da Rockstar e os argumentos da IWGB, mantendo a atenção da comunidade de games e dos defensores dos direitos trabalhistas.









