A Sentinel Games, estúdio por trás do recém-lançado Cure: A Hospital Simulator, está apostando em uma integração inteligente com a plataforma Twitch para atrair criadores de conteúdo e, assim, solucionar o persistente desafio da visibilidade no saturado mercado de jogos indie. A estratégia visa transformar o jogo em uma vitrine para a performance online, garantindo uma promoção orgânica valiosa.
Essa abordagem inovadora nasce da experiência de Doron Nir, fundador e CEO da Sentinel Games. Com um passado como jornalista na indústria de games e cofundador da StreamElements, uma empresa de ferramentas para streamers, Nir observou de perto a evolução do marketing de jogos. Ele notou que, enquanto grandes títulos pagavam por promoção, muitos sucessos independentes eram organicamente abraçados por criadores de conteúdo, tornando-se virais sem qualquer incentivo financeiro, conforme detalhado em uma reportagem do gamesindustry.biz.
Essa percepção levou Nir a destilar as qualidades que tornam um jogo atraente para os streamers. Segundo ele, esses títulos raramente são focados em um jogador ou impulsionados por uma narrativa complexa. Em vez disso, frequentemente são cooperativos multiplayer, com uma premissa básica que permite muito caos e diversão espontânea, um fenômeno que ele carinhosamente chama de “shits and giggles”. Títulos como Supermarket Together, que vendeu mais de 11 milhões de cópias, exemplificam essa tendência no mercado de games.
A engenharia por trás do engajamento de streamers
A Sentinel Games foi fundada com o objetivo primordial de criar jogos que servissem como um palco para a performance online. Para isso, a equipe desenvolveu o que chamam de “Shoutout Engine”, uma tecnologia que conecta diretamente o motor do jogo, neste caso a Unreal Engine, à função de chat da Twitch. Essa inovação permite que os espectadores ativem elementos dentro do jogo através de comandos simples no chat, criando uma camada de interatividade sem precedentes e aumentando o engajamento da audiência.
Em Cure: A Hospital Simulator, lançado em acesso antecipado no Steam em novembro, essa tecnologia ganha vida de forma criativa. O jogo coloca até quatro jogadores no desafio de gerenciar um hospital em meio a um apocalipse zumbi, diagnosticando e tratando pacientes, mas prontos para “tratar” qualquer sinal de zumbi com uma bala na cabeça. O caos e a cooperação são elementos centrais, projetados especificamente para ressoar com criadores de conteúdo e suas transmissões.
Interatividade que captura a audiência
O grande diferencial de Cure é a capacidade dos espectadores da Twitch de criar pacientes NPC (personagens não-jogáveis) e enviá-los para o jogo do streamer. Esses NPCs podem ter o nome e o avatar do próprio espectador e são ativados por um simples comando de chat. Além disso, os espectadores podem personalizar a aparência desses personagens, adicionando uma camada de personalização e envolvimento. Alertas da Twitch também podem ser integrados diretamente ao ambiente do jogo, aparecendo em monitores dentro da sala de emergência virtual.
Essa integração aprofundada não apenas oferece uma experiência única para os streamers, mas também transforma a audiência em participantes ativos, aumentando o engajamento e a probabilidade de o jogo ser compartilhado e descoberto por novas pessoas. Ao dar aos espectadores um papel direto na ação, a Sentinel Games busca capitalizar a dinâmica viral que Doron Nir identificou, garantindo que Cure: A Hospital Simulator se destaque em um mercado competitivo e altamente visual.
A estratégia da Sentinel Games com Cure reflete uma compreensão aguda do cenário atual do marketing de games. Ao invés de depender de orçamentos massivos, o estúdio inova na forma como os jogos podem ser intrinsecamente projetados para a era da criação de conteúdo, pavimentando um caminho potencialmente replicável para outros desenvolvedores indie que buscam visibilidade orgânica e duradoura no ecossistema de streaming.











