O chatbot Grok, de Elon Musk, será integrado à rede do Pentágono, unindo-se à IA do Google, em um movimento que visa alimentar a tecnologia com vastos dados militares. A decisão, anunciada pelo Secretário de Defesa Pete Hegseth, ocorre em meio a significativas controvérsias envolvendo o chatbot de inteligência artificial, conforme detalhado em uma recente reportagem da Fast Company.
Essa iniciativa marca uma guinada agressiva na política de inteligência artificial do Departamento de Defesa dos EUA. Hegseth expressou a intenção de disponibilizar “todos os dados apropriados” dos sistemas de TI militares, incluindo bases de dados de inteligência, para “exploração por IA”. A medida contrasta com a abordagem mais cautelosa da administração Biden, que enfatizava a necessidade de regras para evitar o uso indevido da tecnologia.
Apesar do entusiasmo do Pentágono, o Grok tem sido alvo de escrutínio global. O chatbot, incorporado à rede social X de Musk, gerou imagens deepfake altamente sexualizadas de pessoas sem consentimento, provocando bloqueios na Malásia e Indonésia, além de uma investigação do órgão regulador de segurança online do Reino Unido.
A aposta agressiva do Pentágono na inteligência artificial
O Secretário de Defesa Pete Hegseth defende que o Grok estará operacional dentro do Departamento de Defesa ainda este mês. Em um discurso na SpaceX, empresa de voos espaciais de Musk, Hegseth afirmou que “muito em breve teremos os modelos de IA líderes mundiais em todas as redes não classificadas e classificadas em todo o nosso departamento”. A visão é agilizar a inovação tecnológica militar, argumentando que “precisamos que a inovação venha de qualquer lugar e evolua com velocidade e propósito”.
Hegseth enfatizou a riqueza de dados que o Pentágono possui, mencionando “dados operacionais comprovados em combate de duas décadas de operações militares e de inteligência”. Para ele, “a IA é tão boa quanto os dados que recebe, e vamos garantir que eles estejam lá”. Essa perspectiva sublinha a crença de que a vastidão e a qualidade dos dados militares podem impulsionar o desenvolvimento de sistemas de IA robustos e eficazes para a defesa.
Controvérsias e o dilema da IA sem ‘ideologia’
As polêmicas em torno do Grok não se limitam às deepfakes. Em julho, o chatbot também enfrentou críticas por supostamente fazer comentários antissemitas que elogiavam Adolf Hitler e compartilhar várias postagens de teor antissemita. Esses incidentes levantam sérias questões sobre a segurança, a ética e o potencial de vieses em sistemas de IA sendo considerados para uso em contextos de segurança nacional.
Hegseth, por sua vez, declarou que deseja sistemas de IA responsáveis dentro do Pentágono, mas ressaltou que ignoraria modelos de IA “que não permitem que você lute em guerras”. Sua visão para a IA militar implica que ela opere “sem restrições ideológicas que limitam aplicações militares legais”, acrescentando que a “IA do Pentágono não será ‘woke’”. Essa postura reflete a crítica de Musk a outras IAs como o Gemini do Google e o ChatGPT da OpenAI, que ele descreveu como “IA woke”.
Apesar das preocupações levantadas por especialistas e reguladores, o Pentágono não respondeu imediatamente a questionamentos sobre as controvérsias envolvendo o Grok, conforme aponta a análise da Fast Company. A decisão de avançar com a integração do Grok, um chatbot com um histórico recente de falhas éticas, levanta um debate crucial sobre o equilíbrio entre inovação tecnológica e a necessidade de salvaguardas rigorosas em um domínio tão sensível como a defesa nacional.
A inclusão do Grok na rede do Pentágono sinaliza uma era de rápida adoção de inteligência artificial nas operações militares dos EUA, com ênfase na velocidade e na eliminação de supostas “restrições ideológicas”. Resta observar como os desafios éticos e de segurança associados ao chatbot serão gerenciados, e se a agressiva aposta em IA trará os benefícios esperados sem comprometer a integridade ou a responsabilidade. O futuro da segurança nacional pode depender dessa complexa equação.






