Donald Trump tem afirmado que apenas sua própria moralidade o impede de agir como bem entende no cenário global. Essa perspectiva, que ecoa a filosofia de “a força faz o direito”, levanta questões cruciais sobre o curso das relações internacionais nas próximas décadas.
A visão de Trump foi exemplificada após os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela, que resultaram em centenas de mortos e na captura do então presidente Nicolás Maduro. Questionado sobre o controle americano no país, Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, expressou a essência da governança trumpista: a vontade do poder.
Essa abordagem sugere um retorno à dominação irrestrita das grandes potências, desconsiderando normas e acordos internacionais que visavam promover um avanço moral nas interações entre nações.
A substituição dessa lógica por uma abordagem transacional levanta a questão do colapso da diplomacia tradicional em favor de interesses de curto prazo, uma nova fase da política externa dos Estados Unidos.
A filosofia da força nas relações internacionais
A retórica de Donald Trump frequentemente ressalta a primazia dos interesses nacionais e o uso do poder para alcançá-los. Essa visão desafia diretamente o multilateralismo e o sistema de direito internacional construído ao longo do século XX.
Busca-se limitar a ação unilateral e promover a cooperação, mas a abordagem trumpista se contrapõe a essa lógica, privilegiando iniciativas bilaterais e regionais em detrimento do multilateralismo.
O conceito de “moralidade” de Trump parece desvinculado de princípios universais de direitos humanos ou justiça global. Ele foca na soberania irrestrita e na capacidade de ação, o que alguns veem como abandono da moralidade da sociedade civil.
Críticos argumentam que tal postura pode erodir a confiança entre países, levando a um cenário de instabilidade e competição acirrada, onde a crueldade é vista como para vencedores e a moralidade para perdedores.
Nesse contexto, a ética é secundária à demonstração de força. Este modelo prioriza a capacidade de impor a vontade sobre qualquer consideração de um código moral coletivo, redefinindo as bases da diplomacia global.
A instrumentalização do comércio e dos recursos naturais como extensões da segurança nacional, por exemplo, é uma arma poderosa nas relações internacionais, como visto no uso de tarifas como pressão política.
Impactos no progresso moral global
A ideia de que a “moralidade” de um líder é a única baliza para suas ações no palco mundial impede o progresso moral nas relações globais. O progresso moral implica o desenvolvimento de normas e instituições que protejam os mais vulneráveis e promovam a paz.
Ele garante um tratamento justo entre estados, independentemente de seu poderio militar ou econômico. A adesão a tratados internacionais, como os de direitos humanos ou o direito humanitário, é um pilar essencial desse progresso.
A desconsideração desses marcos por uma potência global pode incentivar outros atores a seguir o mesmo caminho. Isso enfraquece o arcabouço legal e ético que sustenta a ordem mundial, uma realidade que a Europa, por exemplo, não pode ignorar.
Tal postura cria um precedente perigoso, onde a força bruta se torna o principal árbitro das disputas, em detrimento da diplomacia e do respeito mútuo. As consequências a longo prazo são conflitos mais frequentes e menor capacidade de enfrentar desafios globais que exigem colaboração.
A segurança coletiva e a estabilidade dependem de uma adesão a princípios éticos que transcendam o interesse individual de cada nação, promovendo uma ordem mais justa e equilibrada.
A “moralidade anti-moral” de Donald Trump representa um desafio fundamental para a ordem internacional e o conceito de progresso ético global.
A maneira como a comunidade internacional responderá a essa filosofia de poder definirá se prevalecerá um sistema baseado em normas e valores compartilhados ou um retorno a uma era de dominação pela força.
As consequências dessa escolha ressoarão por gerações, moldando profundamente a estrutura da diplomacia e da segurança mundial nos anos vindouros.











