A água engarrafada, frequentemente vista como a opção mais segura para consumo, pode esconder riscos significativos à saúde, conforme revela um novo estudo conduzido pela Washington State University. A pesquisa, focada nas Terras Altas Ocidentais da Guatemala e publicada no Journal of Water and Health, aponta que a confiança dos consumidores na pureza da água engarrafada nem sempre se alinha com a realidade da contaminação bacteriana.
Este cenário, onde a percepção de segurança diverge dos testes laboratoriais, tem implicações importantes para a saúde pública global. Dr. Brooke Ramay, principal autora e professora assistente de pesquisa na Paul G. Allen School for Global Health da WSU, destaca a desconexão entre o que as pessoas acreditam sobre a segurança da água e o que de fato ocorre em suas casas, um fator que pode levar à negligência de precauções essenciais.
A questão da água potável insegura persiste como um desafio global, afetando bilhões de pessoas e contribuindo para milhões de casos de doenças diarreicas anualmente, especialmente entre crianças. Além disso, a contaminação da água está cada vez mais associada à disseminação de bactérias resistentes a antibióticos, intensificando a urgência de abordagens eficazes para a gestão da segurança hídrica.
A ilusão da pureza: riscos na água engarrafada
O estudo da Washington State University revelou que, entre as 11 fontes de água analisadas, a água engarrafada em galões recarregáveis era a mais propensa a conter bactérias coliformes, um indicador de contaminação microbiológica e possível presença de matéria fecal. Surpreendentemente, este tipo de água foi seis vezes mais propenso a testar positivo para coliformes do que outras fontes, com apenas 17% das amostras atendendo aos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) para água potável segura.
A Dra. Ramay explica que o problema geralmente não reside no processo inicial de engarrafamento, mas sim no que acontece depois. O armazenamento inadequado dos galões e a falta de limpeza regular dos dispensadores criam um ambiente propício para o crescimento bacteriano. Essa negligência nas práticas de higiene doméstica, impulsionada pela falsa sensação de segurança, agrava o problema e expõe os consumidores a microrganismos prejudiciais, como a Escherichia coli, que pode causar infecções severas.
Poços municipais: uma segurança subestimada
Em contraste com a água engarrafada, as amostras coletadas diretamente de poços municipais protegidos apresentaram os menores níveis de contaminação, sem coliformes, E. coli, ESBL ou CRE detectados. No entanto, a segurança diminuía drasticamente uma vez que a água municipal era transportada para as residências através da tubulação.
Mais de 65% das amostras coletadas nas residências a partir da água encanada continham bactérias coliformes, com 28% testando positivo para E. coli e 11% para ESBL e CRE. Isso sugere que, embora a fonte original possa ser segura, a infraestrutura de distribuição e as condições internas das casas podem reintroduzir contaminantes, um desafio também observado em bebedouros compartilhados, onde a água pode ser mais contaminada que a da torneira.
Os resultados da pesquisa da Washington State University, corroborados por outros estudos que apontam para riscos em águas engarrafadas e de bebedouros, sublinham a necessidade urgente de reavaliar as percepções sobre a segurança da água e implementar estratégias de saúde pública mais eficazes. Entender as crenças das pessoas sobre a água é crucial para promover mudanças de comportamento, como a fervura ou o tratamento adicional da água e a limpeza regular de dispensadores, garantindo assim que a água que chega às casas seja verdadeiramente segura para consumo.










