A tendência “se tornando chinês” está dominando as redes sociais, especialmente no TikTok, redefinindo o bem-estar e a percepção cultural. Longe de ser uma apropriação, este fenômeno digital incentiva a adoção de hábitos de vida enraizados na milenar medicina tradicional chinesa, com uma recepção surpreendentemente positiva.

Usuários globais estão abraçando práticas como beber água quente com limão e mel, consumir congee e vegetais chineses, e substituir saladas frias por maçãs cozidas nos meses mais frios. Criadores de conteúdo como Emma Peng e Sherry Xiiruii viralizaram ao compartilhar os benefícios dessas rotinas, que promovem hidratação e um estilo de vida mais equilibrado.

O fascínio por esses hábitos se alinha com a busca por autodesenvolvimento, um tema recorrente no início de cada ano. Muitas dessas dicas de bem-estar, que agora circulam online, existem há milênios na medicina oriental. O interesse pela cultura chinesa transcende o bem-estar, manifestando-se em posts virais e até em termos como “chinesemaxxing” em plataformas como o X (antigo Twitter).

O diálogo cultural em tempos de redes sociais

A adoção de elementos de outras culturas frequentemente levanta discussões sobre apropriação cultural, um conceito que envolve a exploração de práticas de grupos subalternos por culturas dominantes sem a devida reciprocidade ou respeito pelo significado original. No entanto, a resposta dos criadores chineses a esta tendência tem sido majoritariamente positiva, celebrando a disseminação de sua cultura.

Emma Peng, uma influenciadora chinesa, expressou orgulho ao ver americanos adotando esses costumes, afirmando que “minha cultura pode ser sua cultura”. Esse cenário sugere um intercâmbio cultural mais autêntico, onde a valorização e o compartilhamento de tradições são incentivados, desafiando a dinâmica usual da apropriação, conforme apontado por especialistas em estudos culturais. Para mais detalhes sobre o fenômeno, a Fast Company publicou uma análise aprofundada sobre a tendência.

A sabedoria milenar da medicina tradicional chinesa

A base da tendência “se tornando chinês” reside nos princípios da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), um sistema com mais de quatro mil anos que busca o equilíbrio do “qi” (energia vital) através de práticas como fitoterapia, acupuntura e dietética. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a MTC por seus benefícios no tratamento de diversas condições, de dores musculares a distúrbios emocionais, tornando-a uma prática integrativa cada vez mais comum no Ocidente.

Estudos científicos têm elucidado os mecanismos de ação da acupuntura, por exemplo, confirmando sua eficácia em diversas doenças e dores, principalmente as de origem musculoesquelética, como detalhado em pesquisas coordenadas pelo Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa. A ênfase da MTC em alimentos quentes, hidratação e a consideração do indivíduo como um todo ressoa com a busca contemporânea por abordagens holísticas e preventivas para a saúde, conforme explora a Clínica de Saúde Integral.

A tendência “se tornando chinês” ilustra como as redes sociais podem ser um vetor poderoso para o intercâmbio cultural e a disseminação de práticas benéficas. Ao invés de uma mera moda passageira, ela representa um convite à exploração de uma rica herança cultural que oferece caminhos para o bem-estar físico e mental. Este movimento pode fomentar uma compreensão mais profunda e respeitosa entre culturas, pavimentando o caminho para um diálogo global mais enriquecedor e consciente.