A demanda sem precedentes por cobre, impulsionada pela eletrificação e pela rápida evolução tecnológica, está remodelando a indústria de mineração global. Essa intensa procura pelo metal tem provocado uma onda de megafusões e aquisições, com as maiores empresas do setor buscando garantir acesso a reservas e expandir sua capacidade produtiva. As recentes movimentações, como as discussões entre Rio Tinto e Glencore, ilustram a urgência e a natureza estratégica dessa corrida, conforme análises de mercado evidenciadas em publicações como a www.economist.com em 15 de janeiro de 2026.

O cobre, com sua alta condutividade elétrica e térmica, tornou-se um pilar indispensável para a transição energética global. Veículos elétricos, infraestrutura de energia renovável e redes inteligentes dependem crucialmente deste metal. Além disso, a expansão da inteligência artificial e dos data centers adiciona uma nova camada de pressão sobre a oferta. Projeções indicam que a demanda global por cobre pode dobrar até 2035, criando um déficit estrutural alarmante se a oferta não acompanhar o ritmo.

Diante de um cenário onde a abertura de novas minas pode levar décadas, a consolidação via fusões e aquisições surge como o caminho mais rápido para as mineradoras aumentarem suas reservas e produção. Essa estratégia permite que as empresas respondam de forma ágil à crescente demanda e aos desafios operacionais inerentes ao setor, que incluem licenciamento ambiental e questões sociais em regiões de mineração.

O cobre como pilar da nova economia global

O papel do cobre na economia moderna é inegável, sendo considerado um insumo estratégico para a transição para uma economia de baixo carbono e a revolução digital. Ele é fundamental em painéis solares, turbinas eólicas, veículos elétricos e em toda a infraestrutura de redes elétricas inteligentes. A inteligência artificial, em particular, projeta um consumo massivo de cobre para data centers e equipamentos associados, com a BloombergNEF estimando mais de 4,3 milhões de toneladas na próxima década apenas para esse fim.

Em 2024, o cobre foi inclusive incluído na lista oficial de minerais críticos do governo dos Estados Unidos, o que abre espaço para políticas de estímulo à produção doméstica. Essa classificação sublinha a importância geopolítica do metal e a preocupação com a segurança do seu suprimento. Analistas da S&P Global alertam para um possível déficit de 10 milhões de toneladas por ano até 2040, caso a produção não acelere, o que representaria cerca de 25% da demanda projetada.

A onda de consolidação e os grandes movimentos

A corrida pelo cobre se manifesta claramente nos movimentos de fusão e aquisição observados recentemente. Em abril de 2024, a mineradora australiana BHP fez uma oferta de US$ 38,8 bilhões pela Anglo American, visando criar a maior produtora de cobre do mundo, com potencial para suprir cerca de 10% da produção global. Embora a Anglo American tenha rejeitado a proposta em novembro de 2025, a tentativa ilustra a agressividade para consolidar ativos de cobre.

Outro marco importante foi a fusão entre a Anglo American e a canadense Teck Resources, anunciada em setembro de 2025. A transação criou a Anglo Teck, uma nova gigante avaliada em mais de US$ 50 bilhões, posicionando-a entre os cinco maiores produtores globais de cobre. O novo grupo terá sede em Vancouver e um portfólio robusto para atender à demanda crescente.

Mais recentemente, no início de 2026, as atenções se voltaram para as discussões preliminares entre a Rio Tinto e a Glencore para uma possível megafusão, que poderia resultar na maior mineradora do mundo, com valor de mercado superior a US$ 200 bilhões. Essas negociações, que já ocorreram em 2024, ressaltam o retorno dos mega-acordos no setor, impulsionados pela busca por escala e pela exposição a metais estratégicos como o cobre.

O cenário atual indica que a corrida pelo cobre está apenas começando. Com a demanda estruturalmente forte e os desafios inerentes à expansão da oferta, a consolidação do setor de mineração deve continuar. As empresas que conseguirem assegurar as maiores e mais eficientes reservas de cobre estarão em posição privilegiada para capitalizar sobre um futuro cada vez mais eletrificado e digital. Os preços do metal, impulsionados por essa dinâmica, devem permanecer elevados em 2026 e nos próximos anos, refletindo sua importância estratégica.