A ordem mundial pós-2025 emerge de um cenário de fragmentação e novas dinâmicas de poder, redefinindo alianças e o próprio multilateralismo. Líderes que desafiam normas estabelecidas catalisam essa transição, conforme análises recentes.

O último ano foi um período de acerto de contas global, onde o futuro da ordem internacional, embora incerto, já revela quais nações estão mais preparadas para se adaptar à perda do que existia antes. A designação de figuras como Donald Trump entre as pessoas mais influentes de 2025 não surpreende, não por sua liderança em resolver crises, mas por sua capacidade de quebrar normas, desmantelar alianças e impulsionar uma forma transacional de política internacional, conforme apontado pelo portal www.project-syndicate.org.

Este contexto marca o fim de uma era de relativa estabilidade, impulsionada pela hegemonia unipolar pós-Guerra Fria, e pavimenta o caminho para um ambiente geopolítico mais complexo e multipolar. A busca por autonomia estratégica e a reconfiguração de blocos econômicos e militares são tendências que moldam ativamente o cenário global.

A ascensão de novos polos de poder e a fragmentação econômica

Neste novo arranjo global, a ascensão de potências como a China ganha destaque. Pequim tem se esforçado para remodelar a ordem mundial, preenchendo o vácuo deixado por potências tradicionais. Segundo um relatório do Council on Foreign Relations, a influência chinesa se expande em várias frentes, desde a Iniciativa do Cinturão e Rota até a crescente presença militar e tecnológica.

A fragmentação econômica, impulsionada por disputas comerciais e a busca por cadeias de suprimentos mais resilientes, é outra faceta central da ordem pós-2025. Políticas protecionistas e sanções econômicas, como as observadas entre EUA e China, geram um cenário de desglobalização seletiva. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou em 2023 que essa fragmentação pode reduzir o PIB global em até 7%, impactando particularmente as economias emergentes que dependem do comércio internacional para seu desenvolvimento.

Desafios às instituições globais e a busca por resiliência

As instituições multilaterais, pilares da ordem internacional desde o século XX, enfrentam um período de questionamento e enfraquecimento. Organizações como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e até mesmo as Nações Unidas veem sua capacidade de mediar conflitos e estabelecer normas ser desafiada. A ineficácia em lidar com crises complexas, desde pandemias até conflitos regionais, expõe as fissuras em sua governança.

Em resposta, muitos países buscam fortalecer alianças regionais ou forjar novos arranjos bilaterais, privilegiando a flexibilidade e a agilidade em detrimento da rigidez multilateral. A Chatham House apontou em análise de 2024 que o multilateralismo está se transformando, com a ascensão de formatos como o G20 e outros agrupamentos informais ganhando mais relevância na busca por soluções para problemas globais. A resiliência, seja econômica ou estratégica, torna-se a palavra de ordem para nações que navegam este ambiente volátil.

A ordem mundial pós-2025 configura-se, portanto, como um mosaico de incertezas e oportunidades. A transição de um modelo centrado em poucas potências para um sistema mais distribuído exige adaptabilidade e uma compreensão aprofundada das novas dinâmicas de poder. O sucesso nesse cenário dependerá da capacidade dos atores globais de inovar em suas abordagens diplomáticas e econômicas, buscando um equilíbrio entre a competição e a cooperação para evitar maiores polarizações.