A política externa dos Estados Unidos sob a atual administração delineia-se por uma abordagem unilateral, onde o poder é exercido sem as restrições de normas, processos burocráticos e estruturas de aliança que outrora legitimaram a liderança americana. Este cenário, apelidado de “regras da selva de Trump”, aponta para um ano de 2026 como um ponto de inflexão, com a própria América emergindo como a maior fonte de instabilidade global.
Longe de serem meras retóricas, as ações do governo americano têm revelado uma clara preferência por agir onde o ex-presidente Donald Trump acredita que pode prevalecer, desvinculando-se de instituições multilaterais e acordos internacionais. Tal postura desafia as fundações da ordem global estabelecida no pós-guerra, redefinindo as expectativas sobre o papel dos EUA no cenário mundial.
A análise de Ian Bremmer, publicada no Project Syndicate em 8 de janeiro de 2026, destaca que a instabilidade mundial não provirá de potências como China, Rússia ou Irã, nem dos mais de 60 conflitos ativos no planeta – o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. Em vez disso, a imprevisibilidade da política externa estadunidense se posiciona como o principal fator desestabilizador, impactando economias e relações diplomáticas em escala sem precedentes.
O unilateralismo e o esvaziamento das instituições
A estratégia conhecida como “regras da selva de Trump” implica uma erosão progressiva do multilateralismo, onde a cooperação internacional cede lugar a decisões tomadas de forma isolada, buscando vantagens pontuais. Essa guinada tem enfraquecido organismos globais e acordos que por décadas serviram como pilares para a estabilidade e o comércio, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Acordo de Paris sobre o clima.
Para muitos analistas, o distanciamento de alianças tradicionais e a desconsideração por tratados internacionais geram um vácuo de liderança, incentivando outras nações a buscarem seus próprios interesses de forma mais assertiva. Isso pode levar a um ambiente geopolítico mais fragmentado e imprevisível, onde a lei do mais forte dita as regras, em detrimento do direito internacional e da diplomacia, conforme aponta um relatório da Brookings Institution.
Impactos na economia global e na segurança
As ramificações das “regras da selva de Trump” estendem-se profundamente sobre a economia global. A imposição de tarifas e a renegociação de acordos comerciais, muitas vezes de forma abrupta, introduzem uma camada de incerteza que afeta cadeias de suprimentos, investimentos e o crescimento econômico mundial. Empresas e mercados financeiros reagem com cautela a cada nova medida, ajustando estratégias em um cenário volátil, segundo análises do Banco Mundial.
No campo da segurança, a postura unilateral dos EUA pode desestabilizar regiões sensíveis, ao mesmo tempo em que reaviva antigas rivalidades e cria novas tensões. A retirada de acordos nucleares ou a redefinição de compromissos de defesa podem encorajar a proliferação de armas ou o aumento de conflitos regionais, como observado em algumas áreas do Oriente Médio e na Ásia, conforme documentado pelo SIPRI.
A era das “regras da selva de Trump” sinaliza uma profunda alteração na dinâmica geopolítica, onde a previsibilidade e a cooperação podem ser substituídas por uma competição acirrada. Os desdobramentos futuros dependerão da capacidade de adaptação das nações e da resiliência das instituições internacionais, que buscarão redefinir seu papel em um mundo cada vez mais complexo e multipolar.











