Uma nova e intrigante tendência está conquistando as redes sociais, especialmente o TikTok, onde usuários ocidentais estão aderindo a práticas de estilo de vida enraizadas na medicina tradicional chinesa. Esse fenômeno, batizado de “becoming Chinese”, vai além de uma simples moda, promovendo hábitos de bem-estar que têm gerado discussões e, surpreendentemente, uma recepção majoritariamente positiva.

A essência da tendência “becoming Chinese” reside na adoção de rotinas diárias há muito tempo valorizadas na cultura chinesa. Consumir água quente com limão e mel, trocar saladas frias por mingaus quentes e maçãs cozidas, e usar chinelos dentro de casa são apenas alguns dos comportamentos que se popularizaram intensamente. Essa mudança de hábitos é frequentemente apresentada como um caminho para o autocuidado e uma vida mais equilibrada.

Criadores de conteúdo chineses têm sido os principais catalisadores dessa onda cultural, compartilhando dicas de bem-estar que rapidamente viralizaram. Emma Peng, por exemplo, alcançou milhões de visualizações em um TikTok, expressando orgulho em ver sua cultura abraçada. Sherry Xiiruii, por sua vez, brinca com a ideia de que “amanhã, você estará se tornando chinês”, evidenciando o caráter envolvente do movimento.

Raízes culturais e o apelo do bem-estar

O que poderia, à primeira vista, levantar preocupações sobre apropriação cultural, tem sido, em grande parte, recebido com entusiasmo pelos próprios criadores chineses. Muitos deles, como observado pela Fast Company, expressam satisfação ao ver práticas antes zombadas no Ocidente serem agora valorizadas e incorporadas. Essa aceitação sugere uma reinterpretação positiva da troca cultural, focada no benefício mútuo.

A popularidade da tendência “becoming Chinese” no início do ano também não é mera coincidência. Muitos dos “hacks” de bem-estar que viralizam online são, na verdade, conhecimentos milenares da medicina oriental. A busca por autodesenvolvimento e melhoria pessoal, tão comum nos primeiros meses do ano, encontra um terreno fértil nessas práticas ancestrais, que prometem benefícios tangíveis para a saúde e o bem-estar geral.

Para além do bem-estar: A expansão da influência cultural

Embora a maioria da tendência “becoming Chinese” gire em torno de hábitos de saúde, a influência cultural chinesa nas redes sociais não se limita a esse aspecto. Termos como “chinesemaxxing” surgiram em plataformas como o X (antigo Twitter) ao longo de 2025, descrevendo a adoção de posturas e vestimentas específicas, como fumar agachado e usar jaquetas tipo “toggle”. Isso indica uma exploração mais ampla de elementos da cultura chinesa.

A frase viral “Você me conheceu em um momento muito chinês da minha vida”, ecoando uma linha icônica do filme Clube da Luta, também exemplifica como a cultura chinesa está permeando a linguagem e as referências populares online. Essa difusão multifacetada sugere um interesse crescente e diversificado pela China, impulsionado pela conectividade digital e pela curiosidade em relação a diferentes modos de vida.

O fenômeno da tendência “becoming Chinese” nas redes sociais reflete uma complexa interação entre globalização, busca por bem-estar e apropriação cultural. Ao invés de uma mera imitação, observa-se um diálogo cultural onde práticas milenares são redescobertas e adaptadas por uma nova geração. A longevidade e a profundidade dessa influência ainda estão por ser avaliadas, mas é inegável que a cultura chinesa encontrou um novo e potente palco nas plataformas digitais.