O mundo se encontra em um ponto de inflexão, onde a transformação econômica global exige uma abordagem cada vez mais local, conforme apontam especialistas em um artigo recente. Esta mudança fundamental, impulsionada pela transição climática e o recuo da hiperglobalização, coloca os governos subnacionais no centro da busca por soluções eficazes para empregos e resiliência econômica.

A paisagem econômica atual, marcada por uma classe média sob pressão e novos obstáculos na redução da pobreza em países em desenvolvimento, clama por novas estratégias. Mesmo sem as políticas desestabilizadoras de figuras como Donald Trump, a necessidade de repensar a estrutura econômica global seria premente, exigindo uma ação estatal mais direcionada.

Este cenário complexo sugere que as respostas para grandes desafios, como a geração de bons empregos e a estimulação da inovação, residem na capacidade de adaptação e liderança em níveis mais próximos à realidade das comunidades. A eficácia da ação estatal, portanto, passa a ser medida pela sua capilaridade e foco nas especificidades regionais.

O papel da governança subnacional na nova economia

O artigo do Project Syndicate, publicado em janeiro de 2026, destaca que a transformação estrutural, seja para gerar bons empregos, navegar a transição climática, estimular a inovação ou construir resiliência econômica, é o objetivo global. Embora os fins possam diferir, os meios são os mesmos: ação estatal eficaz, liderada por governos subnacionais . Isso enfatiza uma mudança de diretrizes globais para soluções adaptadas a contextos locais.

Governos estaduais e municipais estão mais aptos a compreender as necessidades específicas de suas populações e mercados de trabalho, facilitando a implementação de políticas que realmente gerem impacto. A transição energética, por exemplo, não pode ser uniforme; ela requer adaptações que considerem as capacidades industriais, os recursos naturais e a força de trabalho de cada região, como detalha uma análise sobre impactos econômicos nas cidades brasileiras .

A capacidade de inovar e construir resiliência econômica também se beneficia enormemente de uma liderança local. Pequenas e médias empresas, muitas vezes a espinha dorsal das economias regionais, podem ser mais facilmente apoiadas por políticas subnacionais que entendem seus desafios e oportunidades. Um manual para desenvolvimento econômico local do Banco Mundial reforça essa perspectiva .

Desafios da hiperglobalização e a busca por resiliência

A era da hiperglobalização, caracterizada por cadeias de suprimentos complexas e interdependências econômicas globais, está em recuo, trazendo consigo a necessidade de maior resiliência local. A pandemia de COVID-19 expôs a fragilidade dessas cadeias, mostrando como interrupções em uma parte do mundo podem ter efeitos devastadores em outras. A busca por autossuficiência estratégica e cadeias de valor mais curtas ganha força.

Nesse contexto, a transformação econômica local visa fortalecer as economias regionais, tornando-as menos suscetíveis a choques externos. Isso inclui o desenvolvimento de indústrias locais, a diversificação da base econômica e o investimento em infraestrutura que suporte a produção e o consumo regional. A agenda climática, por sua vez, exige que essas transformações sejam ecologicamente sustentáveis, integrando práticas verdes e inovação tecnológica em nível comunitário, um ponto salientado pelo relatório da Iberdrola .

Especialistas como Gordon Hanson, Dani Rodrik e Rohan Sandhu, em seu artigo para o Project Syndicate, argumentam que a transição climática está sobre nós, a era da hiperglobalização está recuando, as classes médias em todo o mundo estão sob pressão, e a redução da pobreza em países em desenvolvimento enfrenta novos ventos contrários . Eles destacam que, mesmo sem as mudanças desestabilizadoras de ex-presidentes, o mundo estaria desesperado por novas soluções. A resposta, segundo eles, reside na ação estatal eficaz, liderada por governos subnacionais.

A importância das cidades na crise climática é cada vez mais evidente, com áreas urbanas gerando cerca de 80% do PIB mundial, mas também uma produção maciça de resíduos e poluentes, conforme um artigo da SBPC . O Banco Mundial adverte que os impactos das mudanças climáticas poderão levar mais 100 milhões de pessoas à pobreza até 2030, se não houver medidas urgentes . Políticas para economias locais resilientes, como as propostas pela OCDE, são cruciais para enfrentar esses desafios .

A reconfiguração da economia global aponta para um futuro onde a força e a adaptabilidade residem na capacidade de agir localmente. A liderança subnacional emerge como um pilar fundamental para navegar as complexidades da transição climática, mitigar os efeitos da globalização em declínio e fomentar a inovação. Ao empoderar comunidades e regiões, o caminho para uma transformação econômica robusta e equitativa se torna mais tangível, construindo um futuro mais resiliente para todos.