A Apple, gigante tecnológica global, enfrenta crescentes demandas para ativar seus serviços de mensagens via satélite no Irã. Em meio a intensos protestos e um rigoroso apagão de internet imposto pelo regime, ativistas e membros do Congresso dos Estados Unidos veem na tecnologia da empresa uma possível tábua de salvação para a comunicação dos manifestantes. A situação no país persa se deteriorou, com relatos de repressão brutal e milhares de mortos, tornando a conectividade uma questão de vida ou morte.

As manifestações, que se intensificaram em janeiro de 2026, espalharam-se por mais de 185 cidades em todas as 31 províncias iranianas, impulsionadas inicialmente por uma crise econômica severa, como a hiperinflação e a desvalorização da moeda. O descontentamento, contudo, evoluiu para um desafio existencial ao regime, com o governo respondendo com um dos mais sofisticados apagões digitais da história. Este cenário de isolamento comunicativo agrava a vulnerabilidade dos cidadãos.

A tecnologia de satélite em meio ao bloqueio

Enquanto a Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, tem sido fundamental, oferecendo acesso gratuito e sendo contrabandeada para o Irã desde 2022, com mais de 50.000 unidades em uso, o regime iraniano tem intensificado seus esforços para bloqueá-la. Especialistas relatam que o governo utiliza técnicas avançadas de interferência, incluindo jamming de sinal via satélite, o que tem reduzido significativamente a conectividade da Starlink.

Nesse contexto, os olhos se voltam para a Apple e seus recursos de comunicação via satélite. O deputado republicano da Geórgia, Buddy Carter, confirmou ter contatado a empresa, instando-a a habilitar as mensagens via satélite no Irã. Em uma postagem em rede social, Carter afirmou: “Apple, a marca de telefones líder no mundo, deve habilitar as mensagens via satélite para o Irã para que eles possam enviar mensagens para a família e relatar as atrocidades cometidas pelo regime iraniano”. Ativistas também ecoam essa demanda, enfatizando que a comunicação é vital e vidas dependem dela.

Dilemas e capacidade da Apple

A Apple introduziu o recurso “Mensagens via satélite” no iPhone 14 e modelos posteriores, permitindo o envio de textos sem cobertura de rede celular ou Wi-Fi. O serviço está atualmente disponível em países como Estados Unidos, Canadá, México e Japão. Além disso, o “SOS de Emergência via satélite” também foi expandido para algumas nações europeias, como França, Alemanha, Irlanda e Reino Unido. Ambos os recursos são gratuitos para usuários de iPhone 14 e 15 até pelo menos setembro de 2026.

No entanto, a viabilidade de a Apple ativar esses serviços no Irã não é imediatamente clara. A empresa não possui presença oficial no país devido a sanções e embargos tecnológicos. A Apple não respondeu aos pedidos de comentário sobre o assunto, e a Globalstar, empresa de telecomunicações por satélite que apoia o serviço da Apple, também não se manifestou. Mesmo com iPhones sendo utilizados no Irã – o governo até suspendeu restrições a modelos mais recentes – a ativação remota de um serviço que depende de infraestrutura e acordos regulatórios específicos representa um desafio complexo.

A pressão sobre a Apple reflete a crescente expectativa de que as grandes empresas de tecnologia desempenhem um papel mais ativo em crises humanitárias e de direitos humanos. Enquanto o regime iraniano intensifica o controle sobre a informação, a capacidade de comunicação dos cidadãos torna-se uma ferramenta crucial de resistência. O futuro da conectividade no Irã, e o papel que empresas como a Apple podem ou não desempenhar, permanece incerto, mas as demandas por uma ação mais incisiva continuam a ecoar globalmente.