A Bacia de Fergana, uma região fértil compartilhada por Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão, emerge como um inesperado modelo para o caminho da estabilidade na Ásia Central. Após décadas de turbulência política, esta área outrora tensa demonstra como a cooperação transfronteiriça e a gestão conjunta de recursos podem transformar potenciais conflitos em benefícios mútuos.
Historicamente marcada por disputas territoriais e sobre a água, a Ásia Central enfrenta complexos desafios geopolíticos e econômicos. No entanto, o recente realinhamento das relações entre os países da região aponta para uma era de maior colaboração. Essa mudança estratégica é crucial para o desenvolvimento sustentável e a segurança de uma área de crescente importância global.
O foco em soluções regionais e a reabertura de fronteiras são elementos-chave para o progresso. A experiência do Vale de Fergana, conforme destacado em uma análise do Project Syndicate, publicada em 15 de janeiro de 2026, oferece lições valiosas para outras regiões que buscam superar conflitos e instabilidade.
O modelo de cooperação do Vale de Fergana
A Bacia de Fergana, um enclave com uma história de tensões devido às fronteiras complexas e à dependência de recursos hídricos compartilhados, tem se transformado em um exemplo de resiliência e pragmatismo. A chave para essa mudança reside na decisão de Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão de reabrir suas fronteiras e colaborar na gestão da água e de outros recursos. Essa abordagem transformou antigas fontes de discórdia em plataformas para o desenvolvimento conjunto.
Este movimento reflete uma compreensão crescente de que a interdependência regional pode ser uma força para a paz, não para o conflito. A cooperação na gestão da água, por exemplo, é vital para a agricultura e a subsistência de milhões de pessoas na região. Relatórios do Banco Mundial indicam que a melhoria na governança da água pode aumentar a produtividade agrícola em até 20% e reduzir as tensões entre comunidades.
Além disso, a reabertura de fronteiras facilitou o comércio e o intercâmbio cultural, impulsionando as economias locais. A facilitação do trânsito de pessoas e mercadorias estimula o crescimento do setor de serviços e a criação de novas oportunidades de negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) tem apoiado iniciativas que visam fortalecer a integração econômica na Ásia Central, reconhecendo seu potencial para atrair investimentos e diversificar as economias.
Desafios e o futuro da integração regional
Embora o caminho da estabilidade na Ásia Central esteja pavimentado com progressos notáveis, desafios significativos persistem. A região ainda lida com questões de segurança, como extremismo e tráfico de drogas, além da necessidade de reformas econômicas contínuas para garantir um crescimento inclusivo. A dependência de matérias-primas e a vulnerabilidade às mudanças climáticas também representam obstáculos.
No entanto, a vontade política demonstrada pelos líderes da Ásia Central em buscar uma maior integração é um fator encorajador. Iniciativas como o Conselho de Chefes de Estado da Ásia Central, que se reúne regularmente para discutir questões regionais, demonstram um compromisso com a coordenação e a busca de soluções conjuntas. A Organização das Nações Unidas (ONU) tem reiterado a importância da cooperação regional para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Ásia Central.
O futuro da Ásia Central dependerá da capacidade de seus estados em construir sobre as bases de cooperação estabelecidas, expandindo-as para além de questões pontuais. O sucesso do Vale de Fergana serve como um farol, mostrando que, mesmo nas regiões mais complexas, a estabilidade e o crescimento são alcançáveis através do diálogo e da colaboração pragmática. A lição é clara: a interdependência pode ser a maior força para a paz e a prosperidade.









