O Banco Central do Brasil publicou novas regras para a prestação de informações sobre operações de câmbio envolvendo ativos virtuais, marcando um passo significativo na regulamentação do setor. A medida, detalhada em recente resolução, visa aumentar a transparência e a supervisão sobre o crescente mercado de criptoativos no país, impactando diretamente as empresas que operam nesse segmento.

Essa nova diretriz se insere no contexto do Marco Legal das Criptomoedas (Lei nº 14.478/2022), que atribuiu ao BCB a competência para regulamentar e fiscalizar aspectos do mercado de ativos virtuais. A Resolução BCB nº 363, de 16 de janeiro de 2024, altera a Resolução BCB nº 264, de 23 de novembro de 2022, estabelecendo a obrigatoriedade de reporte detalhado para as transações. O movimento reflete uma tendência global de maior escrutínio sobre o universo digital financeiro, buscando equilibrar inovação com a segurança do sistema.

A urgência dessa regulamentação reside na rápida expansão dos ativos virtuais no Brasil. Dados recentes da Receita Federal indicam que mais de 3,5 milhões de brasileiros declararam possuir criptoativos em 2023, um aumento expressivo em relação aos anos anteriores. Esse crescimento, embora promissor, também levanta preocupações com lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e proteção ao consumidor, justificando a intervenção regulatória para mitigar riscos e fortalecer a integridade do mercado.

O impacto das novas exigências para as empresas de criptoativos

As regras recém-publicadas impõem um conjunto de obrigações informacionais às instituições autorizadas a operar no mercado de câmbio e com ativos virtuais. As empresas deverão reportar ao Banco Central dados detalhados sobre as operações, incluindo a identificação das partes envolvidas, o tipo de ativo virtual transacionado, os valores e as datas das transações. A resolução especifica os prazos e a forma de envio dessas informações, que devem ser transmitidas eletronicamente.

Para as exchanges e outras provedoras de serviços de ativos virtuais (VASPs), a adaptação a essas exigências representa um desafio significativo. Demandará investimentos em tecnologia, sistemas de compliance robustos e treinamento de pessoal para garantir a coleta e o envio correto dos dados. “A clareza regulatória é bem-vinda, mas o custo de adaptação pode ser alto para empresas menores”, observa Fernando Carneiro, especialista em regulamentação financeira. Ele complementa que a medida, embora necessária para a fiscalização, exigirá um esforço considerável do setor para se adequar plenamente. O objetivo é criar um rastro auditável para as operações, facilitando a identificação de atividades ilícitas e garantindo que o mercado opere dentro dos parâmetros legais.

Fortalecendo a segurança e a fiscalização no mercado de ativos virtuais

A principal motivação por trás da intensificação da coleta de dados é aprimorar a capacidade do Banco Central de fiscalizar o mercado e proteger os usuários. Ao ter acesso a informações detalhadas sobre as transações, a autoridade monetária pode monitorar fluxos financeiros suspeitos com maior eficácia, combatendo crimes como a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, conforme as recomendações do Grupo de Ação Financeira (GAFI/FATF). Essa maior transparência não só protege o sistema financeiro, mas também oferece mais segurança aos investidores, que podem se sentir mais confiantes em um ambiente regulado.

A Lei nº 14.478, de 21 de dezembro de 2022, que estabeleceu o Marco Legal das Criptomoedas, já sinalizava essa direção. A nova resolução do BCB é um desdobramento prático dessa legislação, preenchendo lacunas e fornecendo as ferramentas necessárias para a supervisão. Analistas do Valor Econômico destacam que a harmonização das regras brasileiras com padrões internacionais é crucial para a credibilidade do país no cenário global de ativos digitais, atraindo investimentos e promovendo um desenvolvimento sustentável do ecossistema cripto.

As novas regras do Banco Central para a prestação de informações sobre operações com ativos virtuais representam um avanço fundamental na construção de um ambiente mais transparente e seguro para o mercado brasileiro. Embora exijam adaptação por parte das empresas, elas pavimentam o caminho para uma maior integração dos ativos digitais ao sistema financeiro tradicional, sob um olhar atento das autoridades. O desafio futuro será manter esse equilíbrio regulatório, fomentando a inovação sem comprometer a estabilidade e a proteção do consumidor, à medida que a tecnologia blockchain e as criptomoedas continuam a evoluir rapidamente.