A estrela supergigante Betelgeuse, um dos objetos mais estudados no céu noturno, teve o enigma de seu comportamento incomum finalmente desvendado. Observações do Telescópio Espacial Hubble e de observatórios terrestres revelaram uma estrela companheira, batizada de Siwarha, que cria uma esteira visível de gás através da vasta atmosfera da gigante vermelha, explicando suas flutuações de brilho prolongadas.
Por quase oito anos, cientistas mediram as sutis mudanças na luz de Betelgeuse, uma busca incessante que culminou na identificação da influência de Siwarha. Esta descoberta, detalhada em um relatório da ScienceDaily, foi anunciada na 247ª reunião da American Astronomical Society em Phoenix e aceita para publicação no The Astrophysical Journal, elucidando uma das grandes incógnitas da astronomia moderna.
O comportamento errático da estrela, especialmente seu inesperado escurecimento em 2020, que muitos descreveram como um “espirro estelar”, agora ganha uma explicação coerente. A presença da estrela companheira, que já era suspeita, mas nunca confirmada diretamente, altera significativamente a compreensão da evolução e da dinâmica de supergigantes vermelhas.
Betelgeuse, localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra na constelação de Órion, é uma estrela de tamanho extraordinário, capaz de abrigar mais de 400 milhões de sóis, tornando-a um alvo crucial para o estudo da vida de estrelas massivas.
A revelação de Siwarha e sua esteira cósmica
O impacto de Siwarha sobre Betelgeuse foi identificado através da análise cuidadosa de padrões repetidos no comportamento da estrela. À medida que a companheira se move pelas camadas externas da atmosfera de Betelgeuse, ela perturba o gás circundante, gerando uma trilha de material mais denso. Essa esteira de gás, visível nos dados coletados, é a chave para compreender a variabilidade observada na gigante vermelha.
A astrônoma Andrea Dupree, do Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian (CfA) e principal autora do estudo, compara o fenômeno a um barco navegando na água. “A estrela companheira cria um efeito de ondulação na atmosfera de Betelgeuse que podemos realmente ver nos dados”, afirmou Dupree.
A detecção direta dessa esteira confirma a existência da companheira oculta e sua influência na aparência e comportamento de Betelgeuse. As observações de longo prazo, combinando dados do Hubble com telescópios terrestres, foram essenciais para este avanço.
Os pesquisadores detectaram mudanças no espectro da estrela, que são as cores específicas de luz produzidas por diferentes elementos, e também nos movimentos do gás na atmosfera externa. Essas alterações estão diretamente ligadas à esteira densa formada por Siwarha, que aparece logo após a companheira passar em frente a Betelgeuse a cada seis anos, aproximadamente 2.100 dias, corroborando previsões teóricas anteriores.
Entendendo a variabilidade da gigante vermelha
Por décadas, astrônomos monitoraram Betelgeuse, rastreando suas flutuações de brilho e as características de sua superfície na tentativa de decifrar seu comportamento imprevisível. O interesse atingiu o pico em 2020, quando a estrela escureceu inesperadamente. Agora, a confirmação de Siwarha oferece uma explicação robusta para essas anomalias.
Os cientistas já haviam identificado dois ciclos principais de variabilidade em Betelgeuse: um período mais curto de 400 dias, associado a pulsações internas da estrela, e um ciclo muito mais longo, de cerca de 2.100 dias. A periodicidade do ciclo mais longo agora está claramente associada à órbita de Siwarha e à esteira de gás que ela esculpe na atmosfera de Betelgeuse, proporcionando uma visão sem precedentes dos estágios finais da evolução de estrelas massivas.
A descoberta de Siwarha não apenas resolve um dos enigmas mais persistentes da astronomia moderna, mas também oferece insights valiosos sobre como as estrelas gigantes envelhecem, perdem massa e, eventualmente, explodem como supernovas.
Ao confirmar a presença e o impacto da estrela companheira, os astrônomos podem agora refinar seus modelos estelares e aprofundar a compreensão dos complexos processos que governam o destino das estrelas mais massivas do universo. Este avanço abre novas portas para o estudo de sistemas binários e a evolução estelar.











