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Em 2020, um ano marcado pela pandemia, que prejudicou muito a economia mundial, o saldo para quem investiu em bitcoin (BTC) foi animador, dando um retorno muito acima de qualquer outro investimento. Sim, é um ativo de risco, mas vem se mostrando uma boa aposta, tendo valorizado 321%, partindo de US$ 7 mil e ultrapassando os US$ 30 mil no curso do ano.

Já em 2021 as coisas não vem sendo tranquilas no mercado de criptomoedas, num primeiro semestre marcado por uma montanha-russa de preços e fechando com lucro de 20,82%. Foram meses agitados, com o BTC atingindo sua máxima histórica de US 64 mil, seguido por quedas bruscas e instabilidade. Para analistas mais experientes, trata-se de um período de ajuste e já era esperado. Há quem aposte que modelos como o Stock-to-Flow apontam para o bitcoin a U$ 135 antes de 31 de dezembro. Outros são pessimistas e falam de uma “bolha” que estaria prestes a estourar.

O cenário de queda constante foi o mesmo para muitas outras criptografias, mas o principal concorrente do BTC, o ethereum (ETH), ultrapassou os 270% de lucro na primeira metade do ano, tendo saído de US$ 774 para chegar a U$ 2.102 no primeiro dia de julho. Ao mesmo tempo, a Dogecoin (DOGE), criptomoeda de meme, que especialistas vivem condenando por ser um projeto “sem fundamentos”, saltou 4.225% nestes seis meses, valendo hoje US$ 0,245.

A mudança no quadro do ano passado pra esse é explicada de muitas maneiras, mas é inegável que o grande responsável pelo aumento no preço foi o otimismo gerado pela entrada de grandes empresas e gestores no mercado das criptomoedas a partir de outubro do ano passado. De lá pra cá, muito otimismo, mas o desempenho dos ativos está bem diferente, demorando a oferecer o retorno que a maioria deles esperava.

Logo nos primeiros meses do ano nomes de peso como Ray Dalio, Stan Druckenmiller e Paul Tudor Jones falaram sobre investimentos em bitcoin como alternativa de diversificação de portfólio. Gestores de instituições financeiras a grandes fundos também sinalizaram positivamente em relação a investimentos em criptografia.

Contudo, uma série de ações restritivas do governo da China sobre a geração e comercialização de criptomoedas a partir de maio tiveram impacto direto sobre os preços no mercado. Por exemplo, em 18 de maio o bitcoin perdeu mais de 20% de valor em poucas horas após notícias de que autoridades chinesas estavam praticamente banindo as transações de moedas digitais em seu território. Na ocasião, autoridades regulatórias afirmaram que a proibição de instituições financeiras ofereceram moedas digitais a seus clientes ocorria porque não se tratava de “dinheiro real”.

Em seguida vieram a derrubada de contas de redes sociais que falavam sobre comércio de cripto e a interrupção no fornecimento de energia para os mineradores. Tal decisão causou forte reação no mercado, já que segundo levantamento da Universidade de Cambridge, cerca de 65% da mineração de Bitcoin ocorreu na China.

Contudo, o preço de mercado acabou se adaptando, com notícias de grandes mineradores mudando suas máquinas para o Cazaquistão e os Estados Unidos

Os tuítes de Elon Musk e ameaças regulatórias do governo de Joe Biden sobre as criptomoedas também tiveram sua parcela na queda dos preços. Muitos investidores norte-americanos operam com ordens automáticas de vendas, um mecanismo que prevenirias perdas muito acentuadas. Tudo isso gerou um “efeito cascata” que não contribuiu para uma retomada dos preços como se esperava.

O que esperar dos próximos meses

Não é possível fazer um exercício certeiro sobre nenhum investimento para o semestre que se inicia hoje. Aparentemente, mais investidores institucionais estão entrando no mercado de criptomoedas agora. Atraídos, em grande parte, pelos preços mais baixos.

Isso significa mais credibilidade e liquidez para o bitcoin e as altcoins. Esse volume extra de capital, a exemplo do que ocorreu no ano passado, permitirá uma expansão ao público de varejo – principalmente para as pessoas físicas que acompanham as notícias sobre os lucros cripto.

Vele sempre lembrar que os especialistas recomendam que investidores não experimentados não coloquem mais que 5% do seu capital nesse mercado. Afinal, nem todo mundo consegue lidar bem com grandes desvalorizações em curtos espaços de tempo, algo relativamente comum com as criptomoedas.

Vantagens do investimento em criptomoedas

O bitcoin é sempre passível de um escrutínio maior por ser a mais valiosa e servir, por muitas métricas, como um termômetro do mercado como um todo.

Para quem quer investir em BTC ou em outras criptomoedas, é preciso olhar para além de uma expectativa de lucro maior que a média, em especial considerando que a poupança rende apenas menos de 3% ao ano, de acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac).

Em muitos aspectos, o investimento em cripto é idêntico ao investimento no mercado de ações. No entanto, quando comparado aos investimentos tradicionais, os ativos digitais tem muitas vantagens:

Liquidez – Devido ao desenvolvimento mundial de plataformas de negociação (exchanges), bolsas e corretoras online, as criptomoedas são, sem dúvida, um dos ativos financeiros com maior liquidez. Com taxas muitas vezes acessíveis, é possível negociar rapidamente um moeda digital por outra por trocá-la por moeda fiduciária. Quem pensa em investimento de longo prazo, a criptografia pode ser uma opção interessante, considerando sua forte demanda de mercado.

Negociação fácil– Para negociar ações no Brasil é necessário uma licença. Geralmente, quem deseja fazer pequenos investimentos procurar uma corretora. Com as criptomoedas, por outro lado, é mais simples. Você pode comprar ou vender diretamente criptomoedas em exchanges e depositá-las em sua carteira. As transações são imediatas, ao contrário das ordens de negociação de ações, que podem levar dias para serem liquidadas.

Armazenamento digital – Criptomoedas como Bitcoin estão menos sujeitas a confisco ou “catástrofes” como incêndios ou falhas de servidores. Devido à sua estrutura descentralizada de blockchain, os dados não são mantidos em um único local, sendo reproduzidos para todos os nós, em todo o mundo. Ou seja, ser dinheiro virtual não fica alojado em bancos, como as formas tradicionais de investimento.

Novas oportunidades – O mercado de criptomoedas ainda é muito novo e novos tokens surgem regularmente. Claro, isso traz consigo flutuações de preços e volatilidade muito altas. Quem fizer investimentos após se informar bem tende a obter bons lucros, em especial aqueles que tiverem paciência.

Diversificação de portfólio – Criptomoedas podem auxiliar na diversificação de um portfólio de investimentos para quem não quer continuar somente na poupança e acha o mercado de ações complicado demais. Em uma carteira convencional, um pequeno investimento em criptomoedas pode aumentar os retornos, mesmo considerando que é um ativo de risco, ao mesmo tempo que possibilita a familiaridade com uma tendência econômica mundial.

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