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Afundado numa crise econômica sem previsão de melhoras, o governo venezuelano está tomando novas  medidas para tentar mudar os rumos das finanças no país. Buscando controlar a inflação e implementar a soberania monetária, o governo vai remover seis zeros do bolívar, a moeda nacional e lançar uma versão digital.

Em anúncio oficial, o Banco Central da Venezuela afirmou, que o bolívar digital começar a ser emitido em 1º de outubro. O comunicado do site Ministério da Economia e das Finanças foi reproduzida nas redes sociais da entidade.

Será a primeira Moeda Digital de Banco Central , ou CBDC, na sigla em inglês da expressão. As CBDCs não são criptomoedas, nem um token como os outros, pois não são descentralizadas. Como o nome indica, são emitidas por algum banco central e controladas por um órgão estatal, que emite um registro eletrônico ou token digital para representar a forma virtual de uma moeda fiduciária corrente da nação.

A iniciativa venezuelana de reconversão monetária eliminará seis zeros do bolívar, que não para de desvalorizar. Por exemplo, atualmente um café em  qualquer padaria do país, custa 7.662.898 bolívares. Isso equivale a cerca de US$ 2. Surpreendentemente, também é mais que o salário mínimo vigente.

O pacote do governo do ditador Nicolas Maduro já e a terceira reconversão em menos de quinze anos. A primeira foi em 2007, quando o falecido presidente Hugo Chávez anunciou a eliminar três zeros da moeda. A  medida teve pouco efeito prático e não ajudou na retomada econômica.

Três anos atrás, Maduro autorizou o lançamento de uma criptomoeda estatal chamada Petro, que é lastreada em petróleo. Contudo, o projeto naufragou juntamente com o sistema econômico venezuelano, que continua lidando com a hiperinflação.

O material divulgado pela Banco Central da Venezuela explica que estão sendo desenvolvido um “novo Sistema de Câmbio de Mensagens Financeiras, um sistema de soberania gratuito, feito na Venezuela por venezuelanos, para promover a independência de sistemas estrangeiros em operações bancárias nacionais.”

Não foram anunciadas as especificações técnicas de como o bolívar digital irá funcionar. Analistas acreditam que seguirá o mesmo padrão do yuan digital, prometido pelo governo chinês para 2022. Existe uma grande influência chinesa sobre a política e economia da Venezuela desde o início da “revolução bolivariana” de Chavez, que afundou o país.

Na verdade, lidar com criptomoedas é algo bastante comum para para os venezuelanos. Já existem mais de 20 mil pontos de pagamento em cripto no país, incluindo lojas, cinemas, supermercados e farmácias. O token dash é bastante popular por lá.

Ao que tudo indica, esse CBDC vai ser usado em paralelo com a moeda física e não veio para substituí-la. Caso se concretize, o bolívar digital será o primeiro CBDC da América Latina. Não seria o primeira da América porque em outubro de 2020 as Bahamas lançou o seu, chamado “sand dollar”.

Em vários lugares do mundo, os bancos centrais parecem interessados em explorar a possibilidade de lançar suas próprias moedas digitais. Dependendo como a população da Venezuela lidar com a novidade, isso poderá influenciar outros países a fazer o mesmo.

Contudo, somente a emissão de uma versão eletrônica do dinheiro não terá um efeito prático na mudança dos rumos da economia, uma vez que ela estará condicionada ao bolívar já existente e a medidas de impacto no país, que o governo não consegue colocar em prática. Por exemplo, não foi anunciado ainda se haverá aumento do salário mínimo. A Venezuela fechou 2020 com uma inflação acumulada de 2.959,8%, segundo dados divulgado do seu Banco Central.

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