A CD Projekt Red, desenvolvedora do aclamado RPG "Cyberpunk 2077", emitiu recentemente uma notificação DMCA (Digital Millennium Copyright Act) contra o criador LukeRoss, responsável por uma versão em realidade virtual paga do jogo. Esta ação reacende o debate sobre os limites da monetização de conteúdo de fã e a interpretação de propriedade intelectual no universo dos videogames, conforme reportado pelo veículo GamesIndustry.biz em 20 de janeiro de 2026.
A empresa polonesa justificou a medida alegando que a monetização de sua propriedade intelectual sem permissão direta ou acordo viola suas Diretrizes de Conteúdo de Fã. A controvérsia se aprofunda na distinção entre um trabalho derivado e uma ferramenta de software que, embora aprimore a experiência de um jogo, não incorpora diretamente seus ativos ou código.
Este não é um incidente isolado no cenário de modificações de jogos. LukeRoss, criador do framework R.E.A.L. VR, enfrentou situação similar em 2022, quando a Take-Two Interactive emitiu notificações DMCA contra seus mods pagos para títulos como Grand Theft Auto 5 e Red Dead Redemption 2. A recorrência desses eventos sublinha a tensão crescente entre criadores de jogos e a comunidade de modders.
A controvérsia sobre a monetização de mods
Jan Rosner, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da CD Projekt Red, confirmou a ação DMCA. Ele explicou que a empresa permite modificações, mas não tolera a monetização de sua propriedade intelectual sem permissão explícita. "Nunca permitimos a monetização de nossa IP sem permissão direta e/ou um acordo em vigor", afirmou Rosner ao GamesIndustry.biz. Esta postura está alinhada com as diretrizes da empresa, que visam proteger seus ativos enquanto incentivam a criatividade da comunidade.
A CD Projekt havia solicitado a LukeRoss que tornasse o mod gratuito, com doações opcionais, ou que o removesse completamente. Rosner destacou que a empresa aprecia os mods e o trabalho de Luke, inclusive o elogiando como "nada menos que incrível" para Cyberpunk 2077. Contudo, reiterou que "obter lucro com nossa IP, de qualquer forma, sempre requer permissão da CD Projekt Red", buscando um equilíbrio entre o apoio à comunidade e a proteção comercial.
O argumento do modder e o futuro da criação de conteúdo
LukeRoss, por sua vez, contesta a base legal da exigência da CD Projekt. Em uma postagem no Patreon, ele argumentou que seu software não é um "trabalho derivado" ou "conteúdo de fã" no sentido que a empresa o interpreta. O modder salienta que seu framework R.E.A.L. VR é uma ferramenta genérica que suporta dezenas de jogos construídos em diferentes engines, como Elden Ring e Far Cry, além de títulos anteriores da Take-Two.
LukeRoss enfatiza que seu mod não contém "absolutamente nenhum código ou ativos" da propriedade intelectual da CD Projekt, o que o diferenciaria de outras modificações. Ele vê a situação como uma "lógica corporativa inflexível", onde "cada pequena ação que uma empresa toma é em nome do dinheiro, mas tudo o que os modders fazem deve ser absolutamente gratuito", uma perspectiva que ressoa em parte da comunidade de modding.
Este embate legal entre CD Projekt Red e LukeRoss é mais um capítulo na complexa relação entre desenvolvedores e a vibrante comunidade de modders. Enquanto as empresas buscam proteger seus investimentos e propriedade intelectual, os criadores de mods frequentemente impulsionam a longevidade e o engajamento dos jogos, adicionando novas funcionalidades que aprimoram a experiência do usuário.
À medida que a tecnologia avança e as formas de interação com jogos se expandem, a definição de "propriedade intelectual" e os direitos de monetização de criações de terceiros continuarão a ser pontos de atrito. O desfecho deste caso poderá estabelecer precedentes importantes para o futuro do conteúdo gerado por fãs, moldando as políticas de modding e a gestão de IPs em toda a indústria de jogos.











