O governo de Mato Grosso tem direcionado investimentos estratégicos em ciência e tecnologia para catalisar a produção de café na agricultura familiar, impulsionando a diversificação econômica e a sustentabilidade no campo. A iniciativa, parte do programa MOMENTO MT, visa transformar a paisagem agrícola do estado, historicamente dominada por soja e gado, através do fortalecimento de pequenos produtores de café.

Essa aposta vem em um momento crucial, onde a busca por sistemas produtivos mais resilientes e economicamente viáveis para as comunidades rurais ganha destaque. Mato Grosso, apesar de não ser um produtor tradicional de café em larga escala como Minas Gerais ou Espírito Santo, possui regiões com condições climáticas e de solo favoráveis para o cultivo de variedades específicas, especialmente o café Conilon (Robusta).

A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF) e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (EMPAER) são os pilares dessa estratégia, articulando parcerias com instituições de pesquisa renomadas. Um dos focos é a transferência de conhecimento e tecnologia, permitindo que agricultores familiares adotem práticas inovadoras e cultivem variedades de café mais adaptadas e produtivas, conforme detalhado em relatórios da própria Governo de MT.

A virada do café em Mato Grosso: Pesquisa e adaptação

A chave para o sucesso do café em Mato Grosso reside na pesquisa aplicada e na adaptação de cultivares. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com órgãos estaduais, tem sido fundamental no desenvolvimento e na validação de variedades de café Conilon que se adaptam bem às condições de clima e solo do estado, especialmente nas regiões de transição com a Amazônia. Essas pesquisas permitem que os produtores obtenham maior produtividade e resistência a pragas e doenças, um fator crítico para a segurança do investimento.

Dados recentes indicam que o cultivo de café robusta nessas áreas, com o devido suporte técnico, pode alcançar produtividades superiores à média nacional para a cultura, conforme estudos da Embrapa. Em municípios do norte de Mato Grosso, como Colniza e Alta Floresta, onde o programa tem sido implementado, agricultores familiares reportam um aumento significativo na produtividade por hectare. Essa melhoria não se restringe à quantidade, mas também à qualidade dos grãos, abrindo portas para mercados mais exigentes e valorizados, segundo observações de técnicos da EMPAER.

Sustentabilidade e renda: O impacto na agricultura familiar

O investimento em ciência e café na agricultura familiar MT não busca apenas aumentar a produção, mas também promover um modelo de desenvolvimento rural sustentável. As práticas incentivadas incluem sistemas agroflorestais, que integram o café com outras culturas e árvores nativas, contribuindo para a conservação do solo, da água e da biodiversidade. Essa abordagem reduz a dependência de insumos externos e fortalece a resiliência dos sistemas produtivos frente às mudanças climáticas.

Para os agricultores familiares, o impacto é direto na renda e na qualidade de vida. A diversificação da produção com o café oferece uma nova fonte de receita, muitas vezes mais estável e rentável do que as culturas tradicionais de subsistência. Um produtor da região de Cotriguaçu, João da Silva, que aderiu ao programa há três anos, relata: "A gente via o café como algo distante, mas com o apoio da EMPAER e as novas mudas, nossa produção dobrou e a renda da família melhorou muito". Esse tipo de depoimento reflete a transformação econômica e social que a iniciativa busca gerar, conforme reportagens locais sobre o tema.

A iniciativa do governo de Mato Grosso em investir na ciência para fortalecer a produção de café na agricultura familiar representa um modelo promissor de desenvolvimento regional. Ao combinar pesquisa, assistência técnica e foco na sustentabilidade, o estado não apenas diversifica sua matriz agrícola, mas também cria oportunidades duradouras para pequenos produtores. Os desdobramentos futuros incluem a expansão do programa para novas regiões e o desenvolvimento de cadeias de valor que agreguem ainda mais ao café mato-grossense, consolidando um novo capítulo para a agricultura familiar no estado.