Pesquisadores da USF Health anunciaram a descoberta de um novo mecanismo de ação em receptores opioides, abrindo caminho para o desenvolvimento de medicamentos para dor mais seguros e eficazes. Esta inovação promete aliviar a dor sem os perigosos efeitos colaterais, como a supressão respiratória, que contribuem para mortes por overdose.

A pesquisa, detalhada em estudos publicados em 17 de dezembro de 2025 nas prestigiadas revistas Nature e Nature Communications, representa um avanço significativo na compreensão de como os opioides interagem com o corpo. O objetivo primordial é oferecer alternativas mais seguras para o tratamento da dor crônica e desenvolver terapias para transtornos de uso de opioides, conforme afirmou a Dra. Laura M. Bohn.

Com a crise global de opioides em mente, a busca por analgésicos potentes sem os riscos inerentes tem sido uma prioridade. Esta nova abordagem foca em compostos experimentais que atuam nos receptores mu opioides, proteínas nas células nervosas que reduzem os sinais de dor, mas que também desencadeiam reações adversas graves, como a supressão da respiração.

A reversão do sinal opioide para maior segurança

A equipe liderada pela Dra. Laura M. Bohn, reitora associada sênior de Pesquisa Básica e Translacional e professora de Farmacologia Molecular e Fisiologia na USF Health Morsani College of Medicine, revelou que o processo inicial de sinalização dos receptores opioides pode, surpreendentemente, operar de forma reversa. Em vez de impulsionar a cadeia de eventos que leva ao alívio da dor e aos efeitos colaterais, alguns compostos parecem favorecer essa reação inversa.

“Descobrimos que a primeira etapa da reação em cadeia é reversível, e que algumas drogas podem favorecer uma reação inversa em vez da reação direta”, afirmou a Dra. Bohn. Ela explica que dois novos produtos químicos estudados intensificam o alívio da dor induzido por morfina e fentanil em doses não eficazes, sem potencializar os efeitos de supressão respiratória.

Um novo projeto para o alívio da dor

Embora as moléculas recém-estudadas não sejam candidatas a medicamentos imediatos — pois em doses mais altas ainda podem suprimir a respiração e não foram testadas para toxicidade ou outros efeitos colaterais relacionados a opioides — elas fornecem um “projeto” valioso para o desenvolvimento de futuras drogas.

O Dr. Edward Stahl, professor assistente de Farmacologia Molecular e Fisiologia na Morsani College of Medicine e um dos autores correspondentes do estudo, que recebeu financiamento dos National Institutes of Health (NIH), enfatizou que entender fundamentalmente como os receptores funcionam é o primeiro passo para medicá-los de forma mais segura. “Se esta pesquisa for validada, isso adicionaria ao nosso conhecimento de como os receptores funcionam e, mais importante, à nossa capacidade de tratar a saúde e doenças humanas”, disse ele.

A pesquisa anterior do laboratório da Dra. Bohn já havia identificado o composto SR-17018, que ativa o mesmo receptor opioide de morfina e fentanil, mas sem causar supressão respiratória ou tolerância, devido a uma forma diferente de ligação ao receptor.

Este avanço oferece uma nova esperança na busca por tratamentos eficazes para a dor crônica, dissociados dos riscos que assolam os opioides atuais. A compreensão aprofundada dos mecanismos dos receptores não apenas pavimenta o caminho para opioides mais seguros, mas também abre portas para terapias inovadoras em outras desordens cerebrais, remodelando o futuro da farmacologia da dor.