Pesquisadores da Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, anunciaram em 5 de janeiro de 2026 uma descoberta crucial sobre o mecanismo câncer, revelando como as células tumorais não apenas evitam a morte, mas também reprogramam seu metabolismo para crescer. A proteína MCL1, antes vista como mero fator de sobrevivência, agora se mostra um motor ativo do crescimento maligno. Essa nova compreensão redefine o papel de uma molécula já conhecida no universo da oncologia.
A pesquisa, detalhada em um estudo destacado pela Nature Communications, estabelece uma conexão funcional direta entre a MCL1 e o complexo mTORC1, um regulador central do metabolismo celular. Até então, os processos de evasão da morte celular e a alteração do uso de energia em tumores eram estudados de forma isolada. A equipe de Dresden demonstrou que a MCL1 atua como um elo entre essas duas características definidoras do câncer, impactando diretamente como as células malignas geram e gerenciam sua energia para proliferação descontrolada.
Essa interligação é particularmente relevante, pois medicamentos que visam o mTOR já são amplamente empregados no tratamento oncológico. A compreensão de que a MCL1 não é apenas um fator de sobrevivência, mas também um controlador ativo de vias metabólicas e de sinalização de crescimento, abre novas perspectivas para estratégias terapêuticas mais eficazes e direcionadas.
MCL1 e a complexa rede do metabolismo tumoral
O Dr. Mohamed Elgendy, líder do grupo de pesquisa em Dresden, enfatizou que os achados elevam a MCL1 a um patamar muito além de um simples fator de sobrevivência para as células tumorais. A proteína intervém ativamente em vias metabólicas e de crescimento essenciais, unindo dois mecanismos fundamentais do câncer. Essa percepção é vital para o desenvolvimento de tratamentos, uma vez que os inibidores de MCL1 já se encontram em fase de desenvolvimento clínico como potenciais terapias anticâncer. Os testes revelaram que esses inibidores também diminuem a sinalização do mTOR, confirmando a conexão funcional.
Um dos desafios mais significativos associados aos inibidores de MCL1 era a cardiotoxicidade, que levou à interrupção de diversos ensaios clínicos. A equipe de Dresden identificou pela primeira vez a causa molecular desse dano cardíaco, um avanço crucial. Com base nesse insight, eles desenvolveram uma estratégia dietética capaz de reduzir significativamente os danos ao coração. Esse efeito protetor foi validado em um modelo avançado de camundongo humanizado.
Rumo a terapias oncológicas mais seguras
A solução para o problema da cardiotoxicidade dos inibidores de MCL1 representa um passo adiante na segurança das terapias. O Prof. Uwe Platzbecker, diretor médico do Hospital Universitário de Dresden, destacou que essa pesquisa de excelência básica cria benefícios diretos para pacientes com câncer. A identificação do mecanismo subjacente e o desenvolvimento de uma abordagem protetora dietética podem agora pavimentar o caminho para tratamentos mais seguros.
A colaboração entre diversas equipes e instituições da República Tcheca, Áustria e Itália foi fundamental para o sucesso do estudo. O reconhecimento veio também da Nature Communications, que selecionou o artigo para a seção “Editors’ Highlights”, evidenciando a ampla relevância e o potencial clínico da descoberta para o futuro da oncologia. Essa pesquisa oferece uma nova esperança para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais adversos.








