As gigantes do mercado de criptomoedas, Coinbase e Gemini, navegam por um cenário de expectativas divergentes entre analistas, à medida que intensificam suas estratégias de expansão para além do tradicional comércio de ativos digitais. Ambas as plataformas buscam diversificar suas fontes de receita, afastando-se da dependência volátil das taxas de transação, um movimento crucial para a sustentabilidade e crescimento a longo prazo no setor financeiro digital.
Este esforço de diversificação surge em um momento em que a indústria de criptoativos amadurece, enfrentando um ambiente regulatório em constante evolução e a crescente demanda por serviços financeiros mais abrangentes. A transição para um modelo de “tudo em um” visa capturar uma fatia maior do mercado financeiro, integrando produtos e serviços que transcendem o universo puramente cripto. Analistas de mercado, no entanto, apresentam perspectivas variadas sobre a eficácia e os desafios inerentes a essa ambiciosa jornada.
A busca por novas avenidas de receita é uma resposta direta à inerente volatilidade do mercado de criptomoedas, que historicamente impacta as margens de lucro das exchanges. Ao expandir para áreas como serviços institucionais, mercados de previsão e até mesmo trading de ações tradicionais, essas empresas procuram construir bases financeiras mais resilientes e previsíveis, mitigando os riscos associados às flutuações dos preços dos ativos digitais.
Estratégias de diversificação e o olhar dos analistas
A Coinbase, por exemplo, tem articulado uma visão clara de se tornar uma “everything exchange” (uma exchange para tudo), conforme descrito por seu CEO Brian Armstrong. A empresa está redirecionando seu modelo de negócios, com a receita de transações projetada para cair para 59% da receita total em 2025, uma queda acentuada em relação aos 96% em 2020. Em contraste, seu segmento de assinaturas e serviços, que inclui juros sobre reservas de stablecoins USDC, recompensas de staking, taxas de custódia institucional e a assinatura Coinbase One, deve representar 41% da receita em 2025, contra apenas 4% há cinco anos.
Essa expansão da Coinbase abrange serviços como o lançamento de trading de ações tradicionais, mercados de previsão através de uma parceria com a Kalshi e a aquisição da The Clearing Company, além do desenvolvimento da rede Layer-2 Base e soluções de tokenização. Analistas do Goldman Sachs, por exemplo, elevaram a classificação da Coinbase para “compra”, estabelecendo um preço-alvo de US$ 303, citando a diversificação em serviços estruturais de cripto e um crescimento mais resiliente da receita. Eles esperam uma taxa de crescimento anual composta de 12% na receita da Coinbase até 2027. No entanto, a Mizuho Securities expressou preocupações com a possível canibalização do negócio principal de trading de cripto da Coinbase por essas novas empreitadas.
A Gemini, por sua vez, também busca diversificar suas fontes de receita, embora com uma composição diferente. Em 2025, as taxas de transação ainda representaram 65,5% da receita no primeiro semestre, com o volume de trading institucional respondendo por 87% do total. A empresa tem expandido para áreas como taxas de intercâmbio de cartão de crédito, serviços de staking e custódia qualificada. Recentemente, a Gemini obteve aprovação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) para operar mercados de previsão através de sua subsidiária Gemini Titan, com planos de expandir para futuros, opções e contratos perpétuos de cripto.
Desafios e perspectivas futuras na diversificação
Apesar do crescimento da receita em algumas áreas, a Gemini reportou um prejuízo líquido de US$ 159,5 milhões no terceiro trimestre de 2025, impulsionado por despesas operacionais que dobraram. O preço de suas ações (GEMI) caiu significativamente após a oferta pública inicial (IPO), refletindo a cautela de alguns analistas quanto à sua trajetória de lucratividade em meio aos altos custos de expansão. A William Blair, contudo, observou que as operações de cartão de gastos da Gemini criam um “efeito de volante”, atraindo metade dos titulares de cartão para a exchange.
Ambas as exchanges enfrentam o desafio de navegar em um ambiente regulatório complexo e em constante mudança. A clareza regulatória nos Estados Unidos e em outras jurisdições é vista como um catalisador crucial para a adoção institucional e a expansão de novos casos de uso além do trading. À medida que Coinbase e Gemini avançam em suas estratégias de expansão além das criptomoedas, o sucesso dependerá não apenas da inovação de produtos, mas também da capacidade de gerenciar custos, construir confiança institucional e adaptar-se a um cenário regulatório em evolução. A corrida para se tornar uma plataforma financeira abrangente está apenas começando, e o mercado observará atentamente como essas gigantes moldarão o futuro da economia digital.








