O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão decisivo para a indústria de jogos com criptomoedas. O que antes era visto como a próxima fronteira da inovação e uma promessa de empoderamento para jogadores, transformou-se em um cenário de retração acentuada, com a falta de financiamento emergindo como o principal catalisador para o colapso de inúmeros projetos. A euforia em torno do modelo Play-to-Earn (P2E) diminuiu drasticamente, revelando a fragilidade de ecossistemas construídos sobre bases especulativas.

Apesar do entusiasmo inicial e do aporte significativo de capital de risco em anos anteriores, a realidade econômica de 2025 expôs as vulnerabilidades do setor. A desaceleração global e a cautela dos investidores em relação a ativos de alto risco, somadas a desafios intrínsecos ao design dos jogos blockchain, criaram uma tempestade perfeita que varreu grande parte das iniciativas ambiciosas. O Portal do Bitcoin, um dos principais veículos de notícias cripto, acompanhou de perto o desmonte, reportando a crescente dificuldade de startups em captar novas rodadas de investimento.

A promessa de que jogadores poderiam gerar renda significativa apenas por participar de jogos atraiu milhões, mas a sustentabilidade desses modelos sempre foi questionável. Em 2025, os dados confirmaram os piores temores, com a base de usuários ativos em muitos títulos P2E despencando e a liquidez dos tokens associados secando, tornando a experiência de “ganhar dinheiro” uma miragem distante para a maioria.

O esgotamento do modelo Play-to-Earn e a fuga de capital

Em 2025, o modelo Play-to-Earn, que dominou a narrativa dos jogos blockchain, mostrou sinais irrefutáveis de esgotamento. A maioria dos projetos falhou em equilibrar a economia do jogo com a diversão e a retenção de jogadores, priorizando a especulação de tokens em detrimento de uma experiência de jogo envolvente. O Relatório Anual de Blockchain Gaming da DappRadar, publicado no final de 2024, já apontava uma desaceleração no número de novos usuários e um declínio nos valores de negociação de NFTs em jogos, indicando uma perda de momentum que se aprofundaria no ano seguinte.

A fuga de capital de risco foi um fator crucial. Após um período de investimentos agressivos, fundos e investidores anjo tornaram-se mais seletivos, exigindo modelos de negócios mais robustos e provas de sustentabilidade a longo prazo. Um estudo da CoinDesk Research sobre financiamento de VCs em 2025 revelou uma queda de 70% no capital direcionado a startups de jogos blockchain em comparação com o pico de 2021-2022. Essa retração deixou muitas equipes sem recursos para desenvolvimento, marketing e manutenção de servidores, forçando o encerramento de operações ou a hibernação de projetos que antes pareciam promissores.

Grandes nomes que outrora lideraram a revolução P2E, como Axie Infinity, já enfrentavam desafios significativos de sustentabilidade em 2024, o que serviu de alerta. A dependência de novos jogadores para sustentar a economia de tokens mostrou-se insustentável. Quando o fluxo de novos participantes diminuiu e o preço dos tokens caiu, os incentivos para jogar desapareceram, criando um ciclo vicioso de saída de jogadores e desvalorização.

Regulamentação incerta e a busca por sustentabilidade

A incerteza regulatória também desempenhou um papel significativo na diminuição do interesse institucional e na dificuldade de financiamento. Governos ao redor do mundo lutaram para categorizar e regulamentar tokens de jogos e NFTs, gerando um ambiente de risco elevado para grandes investidores. A falta de clareza sobre se esses ativos seriam tratados como valores mobiliários, commodities ou outra classe de ativos, inibiu o aporte de capital de fundos de investimento mais conservadores, que poderiam ter oferecido uma base de financiamento mais estável. Um relatório da Bloomberg sobre o panorama regulatório cripto de 2025 destacou a fragmentação das abordagens globais, que criava barreiras para a expansão internacional de muitos projetos.

Diante desse cenário, desenvolvedores e empreendedores começaram a reavaliar a própria essência dos jogos blockchain. Em vez de focar apenas no “earn”, a busca por “play” genuíno, com mecânicas de jogo divertidas e economias mais equilibradas, tornou-se prioridade. Muitos projetos que sobreviveram a 2025 adotaram modelos híbridos, onde a tecnologia blockchain servia para garantir a propriedade digital de itens ou para criar novas formas de interação, mas sem a promessa central de “ganho fácil”. A indústria aprendeu, a duras penas, que a inovação tecnológica, por si só, não sustenta um produto se não houver um valor intrínseco de entretenimento.

O colapso dos jogos cripto em 2025 não foi o fim da inovação blockchain nos games, mas sim uma dolorosa lição sobre a necessidade de fundamentos sólidos. A falta de financiamento forçou uma reavaliação crítica do modelo P2E, abrindo caminho para uma nova geração de jogos que, espera-se, priorizará a diversão e a sustentabilidade econômica, utilizando a blockchain como uma ferramenta para aprimorar a experiência, e não como o único pilar de sua existência.