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Anunciado pela primeira vez em junho de 2019, com o nome de Libra, o projeto de token do Facebook não decolou. As justificativas foram a saída de parcerias significativas e as críticas de políticos dos EUA, que levantaram questionamentos por causa do histórico de problemas da rede social com a privacidade dos seus usuários.

Rebatizada de Diem, a criptomoeda que funcionará como stablecoin, está muito próximo do lançamento. A rede  CNBC revelou que um piloto será implementado em pequena escala até o final de 2021. Porém, ainda é vista com desconfiança, principalmente por estar associada à figura controversa de Mark Zuckerberg.

Mesmo assim, parece consenso, tanto das autoridades quanto da comunidade criptográfica, que o Diem será capaz de mudar o mercado da criptografia (para melhor ou para pior). Analistas avaliam que, ao contrário do projeto da Libra, de dois anos atrás, o Diem tem muito mais chances de prosperar, considerando que o mercado de criptomoedas está muito mais maduro.

Segundo o white paper, o projeto Diem é um sistema de pagamento altamente escalonável, que complementará as infraestruturas financeiras soberanas. “Nosso objetivo é que este sistema de pagamentos se integre perfeitamente às políticas monetárias e macroprudenciais locais e complemente as moedas existentes, permitindo novas funcionalidades, reduzindo drasticamente os custos e promovendo a inclusão financeira” diz o texto.

Os engenheiros responsáveis pelo documento procuraram deixar claro que há uma dissociação do Facebook. O white paper menciona a rede social apenas uma vez, apenas como fundador do Conselho da Associação, que também conta com representantes de empresas como Anchorage, Andreessen Horowitz, Coinbase, Lyft, Shopify, Spotify e Uber.

A escolha do CEO da organização foi de Stuart Levey, ex-chefe do departamento legal do HSBC e que trabalhou nos governos de George W. Bush e Barack Obama no combate a ameaças financeiras.

Diferentemente da maioria das stablecoins, a Diem terá um blockchain próprio que promete escalabilidade, velocidade e muitos recursos. O white paper explica que o blockchain baseia-se em três pilares:

  • Habilidade para escalar bilhões de contas, que requer alta quantidade de transações, eficiência e grande capacidade de armazenamento.
  • Altíssima segura para garantir a disponibilidade dos fundos.
  • Flexibilidade para permitir inovações financeiras.

A estrutura do blockchain não será semelhante ao do bitcoin com blocos de transação. Ela será composta por uma estrutura única que, conforme o paper, facilitará a integração de aplicações e tornará a rede mais leve.

No mês passado, a Associação Diem anunciou uma mudança de estratégia, para se concentrar inicialmente apenas no mercado dos EUA. A sede foi transferida da Suíça para Washington, onde se estabeleceu em uma nova empresa, a Diem Networks US. Também firmou uma  parceria com a Silvergate Capital Corp. prevendo que o Silvergate Bank será o único emissor do token “USD Diem”. Seu objetivo é que a criptomoeda eventualmente seja aceita em todo o mundo.

Inicialmente, o Libra/Diem seria um token atrelado a uma cesta de várias moedas digitais diferentes. Mas com a mudança de foco para a atuação somente nos EUA, decidiu-se atrelar o token exclusivamente ao dólar americano. Um dos motivos para isso é conseguir a sonhada aprovação regulatória, que não teria como criptomoeda “livre”.

Ele será executado em um aplicativo/carteira do Facebook chamado Novi, permitindo a transferência de dinheiro de maneira semelhante ao envio de uma mensagem. Há rumores de que será posteriormente estendido ao WhatsApp, ao Facebook Messenger e ao Facebook Marketplace. Pois todos pertencem à mesma empresa-mãe.

Embora a comunidade de criptografia não pareça estar dando muita atenção ao Diem, não há como negar que ela pode levar a criptografia para as massas. A maior rede social do mundo tem uma base de usuários na casa dos bilhões. Além disso, tem o potencial de atrair quem utiliza o Instagram, a outra rede social do conglomerado, além dos usuários do mensageiro Whatsapp

O sistema de pagamentos pelo Whatsapp já funciona em países como Índia e Brasil, no sistema do Facebook Pay, mas é feito na moeda local. A eventual mudança para uma criptomoeda poderia ser uma revolução na maneira como as massas controlam suas finanças. Afinal, nunca é demais lembrar, cerca de 30% da humanidade não tem acesso a serviços bancários.

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