Curitiba, 23 de dezembro de 2025 – A economia brasileira encerra o ano com os olhos voltados para os indicadores que moldam o cenário de investimentos e consumo, especialmente na capital paranaense. A taxa Selic se mantém em 10,25% ao ano, enquanto o CDI acompanha de perto, refletindo a cautela do Banco Central diante de uma inflação que teima em superar as expectativas e um dólar que oscila em R$5,15. Este panorama exige atenção redobrada de empresas e cidadãos, conforme análise de especialistas locais.
O último mês do ano traz um misto de expectativas e desafios. A estabilidade da Selic, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), sinaliza um esforço em controlar a escalada de preços sem frear bruscamente o crescimento. Essa dinâmica impacta diretamente os custos de crédito e a rentabilidade de aplicações financeiras, com repercussões sentidas desde grandes corporações até o pequeno investidor, que busca proteger seu capital da desvalorização.
No cenário global, as tensões geopolíticas e as políticas monetárias das grandes economias continuam a influenciar a percepção de risco sobre o Brasil. A resiliência do mercado interno, no entanto, é um fator mitigador, impulsionado pelo consumo e por setores estratégicos que mostram capacidade de adaptação. A cidade de Curitiba, com sua diversificação econômica, serve como um microcosmo dessa realidade complexa, onde os indicadores nacionais se traduzem em desafios e oportunidades locais.
Selic, CDI e o desafio da inflação persistente
A taxa Selic, referência para a economia, foi mantida em 10,25% ao ano, conforme a mais recente decisão do Banco Central do Brasil. Esse patamar, embora abaixo dos picos de anos anteriores, ainda representa um custo de capital elevado para empresas e um atrativo para investidores de renda fixa. O CDI, que serve de balizador para grande parte dos investimentos, segue a Selic de perto, registrando 10,18% ao ano, segundo dados da B3. Essa correlação é crucial para quem busca rentabilidade em fundos e CDBs.
O principal driver por trás dessa política monetária conservadora é a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,2% nos últimos 12 meses até novembro, superando a meta central de 3% para 2025, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A persistência da inflação, impulsionada por custos de energia e alimentos, tem sido um dos maiores entraves para a redução mais agressiva da Selic. “Ainda vemos pressões inflacionárias significativas, que impedem um ciclo de cortes de juros mais robusto. O Banco Central adota uma postura de cautela necessária para ancorar as expectativas”, afirmou Ana Clara Mendes, economista-chefe da FGV IBRE, em relatório recente sobre o panorama econômico brasileiro [disponível em portal.fgv.br/institutos/ibre].
Dólar em R$5,15: impacto nos negócios e no bolso curitibano
A cotação do dólar, que fechou em R$5,15 nesta terça-feira, reflete uma combinação de fatores externos e internos. A valorização do dólar frente ao real é influenciada pela força da economia americana e pelas incertezas globais, que levam investidores a buscar ativos mais seguros. Internamente, a percepção de risco fiscal e as discussões sobre o orçamento público também contribuem para a volatilidade da moeda. O Banco Central tem atuado pontualmente no mercado de câmbio para mitigar oscilações abruptas, conforme suas operações divulgadas diariamente.
Para Curitiba, uma cidade com forte vocação para o comércio exterior e para o setor de serviços, a variação do dólar tem um impacto direto. Empresas importadoras e exportadoras precisam recalcular seus custos e preços, enquanto o consumidor final sente o peso no custo de produtos importados e até mesmo em passagens aéreas. “A taxa de câmbio em R$5,15 é um desafio para as indústrias que dependem de insumos importados, mas pode ser um estímulo para as exportações, especialmente no agronegócio paranaense”, observou um editorial do Plural Curitiba, destacando a dualidade do cenário cambial para a região.
O cenário econômico de 23 de dezembro de 2025, com Selic e CDI estáveis, inflação em patamar desafiador e dólar em R$5,15, delineia um fim de ano de vigilância. A política monetária brasileira tenta equilibrar o controle de preços com o estímulo ao crescimento, enquanto os agentes econômicos ajustam suas estratégias. O ano de 2026 promete ser de continuidade nessa dinâmica, com as expectativas de mercado para o IPCA em 3,8% e a Selic em trajetória de queda gradual, dependendo da evolução fiscal e da conjuntura internacional. A capacidade de adaptação e a busca por eficiências continuarão sendo pilares para empresas e investidores em Curitiba e no Brasil.












