Novas pesquisas da Universidade McGill, publicadas em 15 de janeiro de 2026, revelam que as embalagens rotuladas como “sem BPA” podem não ser tão seguras quanto se pensava. Cientistas descobriram que substâncias químicas alternativas ao bisfenol A (BPA), presentes em etiquetas de preço de alimentos, podem migrar para a comida e afetar células ovarianas humanas, levantando sérias preocupações sobre a saúde.
O bisfenol A (BPA) é conhecido por seus efeitos disruptores hormonais, associado a problemas de fertilidade e desenvolvimento, levando à sua restrição em diversos produtos. Contudo, a pressa em substituí-lo pode ter gerado um novo desafio, já que muitos dos compostos que o substituem não passaram pelo mesmo rigoroso escrutínio regulatório. A pesquisa recente acende um alerta sobre a necessidade de uma avaliação mais aprofundada desses “novos” químicos antes de sua ampla adoção.
A investigação da McGill, que se baseia em achados anteriores de Stéphane Bayen sobre a migração desses químicos para os alimentos, aprofundou-se nos impactos celulares. Ao expor células ovarianas humanas a quatro alternativas comuns do BPA – TGSA, D-8, PF-201 e BPS – os resultados mostraram alterações significativas, indicando um potencial risco à saúde que merece atenção urgente de consumidores e reguladores.
Os impactos celulares dos substitutos do BPA
Os experimentos da equipe da Universidade McGill expuseram células ovarianas humanas a substâncias como TGSA, D-8, PF-201 e BPS, presentes em etiquetas de preço. Os resultados foram alarmantes, com TGSA e D-8 provocando acúmulo de gordura nas células e alterando genes cruciais para crescimento celular e reparo do DNA.
Bernard Robaire, coautor sênior do estudo e professor da McGill, ressalta a gravidade: “Interromper essas funções celulares não prova dano em humanos, mas nos dá um forte sinal de que esses químicos devem ser investigados mais a fundo”, conforme a pesquisa. Esta descoberta desafia a percepção de segurança associada ao rótulo “sem BPA”.
O estudo, publicado na revista Toxicological Sciences e detalhado pela ScienceDaily, ressalta que a substituição de um bisfenol por outro pode não resolver o problema original, mas sim introduzir novos riscos à saúde. A ausência de testes de segurança equivalentes para esses substitutos representa uma lacuna regulatória significativa, deixando os consumidores expostos a potenciais perigos desconhecidos.
Regulamentação e a falsa promessa do “sem BPA”
A designação “sem BPA” sugere segurança, mas, como aponta Robaire, é um rótulo “incrivelmente enganoso”. Um bisfenol é frequentemente trocado por outro, e existem mais de 200 variações, algumas das quais podem ser igualmente ou mais prejudiciais. A falta de escrutínio prévio à adoção generalizada desses compostos é uma falha crítica no sistema regulatório atual.
A Health Canada já incluiu os quatro químicos analisados no estudo em sua lista de substâncias que requerem revisão adicional, um passo importante para a proteção da saúde pública. Para os consumidores preocupados em reduzir a exposição, Robaire oferece orientações práticas.
Recomenda-se remover etiquetas de preço e o plástico de embalagens de alimentos frescos antes de armazená-los. Além disso, sugere-se escolher produtos nas pilhas superiores dos expositores de supermercado, pois a pressão dos itens empilhados abaixo pode aumentar a transferência de químicos para os alimentos. Estas medidas simples podem ajudar a mitigar os riscos enquanto a ciência e a regulamentação avançam.
A crescente dúvida sobre a segurança das embalagens “sem BPA” sublinha um desafio maior para a indústria e os órgãos reguladores: a necessidade de uma avaliação mais rigorosa e proativa de novos materiais antes de sua comercialização em massa. Enquanto a ciência avança na compreensão dos riscos, a vigilância do consumidor e a implementação de práticas seguras no manuseio de alimentos tornam-se essenciais. O futuro exige uma abordagem que priorize a saúde pública, garantindo que as inovações em embalagens realmente representem um avanço, e não apenas uma troca de problemas.










