A rolagem infinita de vídeos no Instagram ou TikTok pode facilmente nos prender em um ciclo vicioso, transformando uma pausa de 10 minutos em meia hora perdida. Este fenômeno, conhecido como doomscrolling, tem levado a uma crescente preocupação com a saúde mental e o tempo de tela. No entanto, uma nova leva de criadores de conteúdo, os anti-doomscrolling influencers, está emergindo para desafiar essa dinâmica e incentivar um uso mais consciente das plataformas digitais.
Esses influenciadores, muitas vezes munidos de pesquisa científica e uma abordagem empática, aparecem nos feeds com lembretes gentis, pedindo aos usuários que reflitam sobre o tempo gasto online. Eles respondem a um sentimento generalizado de exaustão digital, onde muitos reconhecem passar tempo excessivo em aplicativos sem um propósito claro. A intervenção busca despertar os usuários para a realidade de seus hábitos de consumo de conteúdo.
A percepção de que o tempo de tela está fora de controle é comum, mas o choque vem quando os dados reais são revelados. Pesquisas indicam que a maioria das pessoas subestima drasticamente seu tempo nas redes sociais, e a simples apresentação desses números pode ser um catalisador para a mudança de comportamento, levando muitos a reduzir voluntariamente o uso. É um movimento que prioriza a qualidade da interação sobre a quantidade.
O impacto dos anti-doomscrolling influencers na saúde digital
Entre os nomes que lideram este movimento está Olivia Yokubonis, conhecida online como Olivia Unplugged. Com uma voz acolhedora, ela utiliza suas plataformas para criar vídeos que combatem o uso excessivo e inconsciente das redes sociais, como detalhado em um artigo da www.fastcompany.com. Sua abordagem visa interromper o fluxo incessante de conteúdo, funcionando como um chamado à ação para que os espectadores se desconectem.
Apesar da ironia de usar as próprias redes sociais para combater o vício, Yokubonis defende que é o único lugar onde se pode alcançar as pessoas. “Onde mais eu iria encontrá-lo, Kyle? Lá fora? Você não está lá fora. Você está aqui, sentado aqui”, ela brinca, destacando a necessidade de estar presente onde a audiência está para promover a mudança. Esta estratégia de engajamento direto é crucial para a eficácia dos anti-doomscrolling influencers.
A pesquisa do professor Ofir Turel, da Universidade de Melbourne, reforça a eficácia dessa conscientização. Ele descobriu que, ao confrontar as pessoas com seus dados de tempo de tela, a maioria ficava “em estado de choque” e muitos reduziam o uso voluntariamente. Isso demonstra o poder da informação e da autoconsciência, pilares do trabalho desses criadores de conteúdo que buscam um uso mais intencional da tecnologia.
Estratégias de bem-estar digital para um mundo conectado
Os anti-doomscrolling influencers empregam diversas táticas, desde lembretes suaves até abordagens mais diretas, para ajudar os usuários a gerenciar sua relação com as redes sociais. Alguns se dedicam integralmente a esse tema, enquanto outros o abordam ocasionalmente. O objetivo comum é capacitar os indivíduos a retomar o controle de seu tempo e atenção, promovendo um bem-estar digital sustentável.
Um estudo recente do Pew Research Center em 2023 revelou que adolescentes e jovens adultos são os mais impactados pelo uso excessivo de redes sociais, tornando a mensagem desses influenciadores ainda mais relevante. Eles oferecem alternativas para preencher o tempo que antes seria gasto rolando feeds, incentivando hobbies, leitura e interações offline, transformando a rotina digital em algo mais produtivo e menos viciante.
Em vez de demonizar as plataformas, esses criadores buscam um equilíbrio, ensinando os usuários a navegar no ambiente digital de forma mais saudável. Eles promovem a ideia de que a tecnologia pode ser uma ferramenta valiosa quando usada com intenção, e não como uma distração constante. Isso alinha-se com as recomendações da Organização Mundial da Saúde sobre a importância da saúde mental no contexto digital.
O movimento dos anti-doomscrolling influencers representa uma resposta orgânica e necessária à crescente preocupação com a saúde digital. Ao incentivar a autorreflexão e fornecer estratégias práticas, eles ajudam a moldar uma nova geração de usuários de redes sociais mais conscientes e engajados. O futuro da interação digital pode muito bem depender da nossa capacidade de ouvir esses lembretes e cultivar hábitos mais saudáveis.






